Capacidade de Biden de construir consenso pode fazer diferença, diz especialista

Professora de Relações Internacionais explica à CNN futuro dos EUA com a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump

Da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

O "jogo de cintura" de Joe Biden, eleito presidente dos Estados Unidos na projeção da CNN americana, pode fazer a diferença para que consiga governar o país. A análise é da professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, em entrevista à CNN neste sábado (7).

"O Biden não é um político com pouca experiência: passou pela Câmara, passou pelo Senado, conhece a dinâmica dos comitês bipartidários e foi vice-presidente por 8 anos, conhece a dinâmica do governo federal. Não é alguém que está chegando sem conhecer a estrutura política e burocrática. Ele é considerado um político de negociação, de conciliação. Num momento em que o país sai de uma eleição muito dividido, essa capacidade de construir consenso pode ser muito importante", afirma.

Leia também

Biden é eleito o 46º presidente dos EUA, segundo projeção da CNN

Democratas mantêm Câmara e republicanos, Senado, diz projeção da CNN

A professora de Relações Internacionais Denise Holzhacker (07.nov.2020)
 
Foto: Reprodução/CNN

"Ele tem um desafio já colocado que é, no primeiro momento, lidar com Trump questionando os resultados na transição. Há uma expectativa de que os republicanos vão manter o domínio no Senado, e com isso ele terá de negociar e construir uma aliança com os grupos mais moderados para suas ações essenciais na área econômica, uma agenda de negociação muito forte", continua Denise. 

Ela acredita que as tentativas do atual presidente de invalidar o pleito não terão êxito. "Trump tem tentado fazer ações na justiça, já fez na Geórgia, tentou em outros estados, mas não tem conseguido sucesso. Pode ser que ele leve para a Suprema Corte, mas mesmo assim a grande questão colocada é que faltam evidências nas alegações feitas. A estratégia do Trump é de que essa eleição não está ganha até passar pelo sistema judicial".

(Edição: Amauri Arrais)