Capital do Equador é o novo campo de batalha do narcotráfico internacional
Organizações criminosas tentam se estabelecer em bairros de Quito devido à sua posição estratégica na rota do comércio de drogas ilegais

Moradores de Solanda, um bairro de classe trabalhadora no sul de Quito, capital do Equador, instalaram câmeras de vigilância nas esquinas e portões de metal nas vias secundárias. Tropas armadas assumiram a segurança, substituindo um grupo de vigilância comunitária que havia suspendido suas patrulhas por medo de se tornar alvo de gangues.
A líder comunitária, Maria Eugenia Alban, afirmou que as câmeras permitem aos moradores identificar criminosos sem se exporem, acrescentando que os criminosos não agem mais sozinhos e estão armados.
O número de mortes violentas em Solanda caiu para duas entre janeiro e setembro — uma redução em relação às 13 registradas no mesmo período do ano anterior, segundo registros governamentais. O tenente-coronel da polícia Juan Chacon disse à Reuters que organizações criminosas tentaram se estabelecer em bairros por meio do tráfico de drogas em pequena escala, o que, segundo ele, as conecta a outros tipos de crimes.
O tenente-coronel do Exército, Miguel Saavedra, afirmou que grupos de crime organizado estão tentando se firmar em Quito, e que suas tropas buscam restaurar a segurança na cidade.
O coronel da reserva Mario Pazmino, ex-chefe de inteligência do Exército, explicou que Quito faz parte de um "triângulo da cocaína", servindo como ponto de trânsito e armazenamento temporário para drogas provenientes de Tumaco e Putumayo, na Colômbia.
Tiziano Breda, analista da organização de monitoramento de conflitos ACLED, observou que um número crescente de grupos tem explorado a posição estratégica da capital; contudo, o fato de a cidade servir apenas como ponto de trânsito reduz o risco de disputas violentas como as observadas em outras localidades.
Segundo a polícia, a importância do Equador como rota de trânsito para a cocaína vinda da Colômbia e do Peru cresceu nos últimos cinco anos, alimentando a violência. Gangues como Los Lobos, Los Choneros e Los Tiguerones — classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras — estão presentes em Quito.


