"Carnificina e destruição" no Líbano são horríveis, diz ONU
Chefe de direitos humanos da ONU afirmou que escala de mortes é inacreditável e ameaçam a "paz frágil" pós cessar-fogo
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os ataques israelenses no Líbano desta quarta-feira (8), afirmando que tal carnificina é inacreditável.
"A escala das mortes e da destruição no Líbano hoje é simplesmente horrível", disse o chefe de direitos humanos da ONU.
“Essa carnificina, poucas horas depois de se concordar com um cessar-fogo com o Irã, é inacreditável. Ela exerce uma enorme pressão sobre uma paz frágil, tão desesperadamente necessária para os civis”, continuou ele.
Ao longo do dia, Israel, os Estados Unidos e o Paquistão — que ajudou a mediar as conversas com o Irã — deram declarações diferentes sobre se o Líbano estava incluído no cessar-fogo temporário.
A posição do Paquistão é de que o Líbano estava incluído, mas Israel e a Casa Branca disseram que não.
O exército israelense afirmou anteriormente ter realizado 100 ataques contra centros de comando e instalações militares do Hezbollah, no que descreveu como o maior ataque coordenado no Líbano desde o início do conflito.
A Defesa Civil do Líbano informou nesta quarta-feira (8) que os ataques israelenses em diversas partes do país, incluindo a capital Beirute, mataram pelo menos 254. Já o Ministério da Saúde informou que 837 ficaram feridas, segundo uma atualização preliminar do balanço.
Antes dos ataques de hoje, pelo menos 1.530 pessoas haviam sido mortas e 4.812 ficaram feridas no Líbano desde o início da guerra, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na terça-feira (7).
Türk reiterou que o direito internacional humanitário protege civis e infraestrutura civil.
“Todos e quaisquer ataques devem estar em conformidade com os princípios fundamentais do direito internacional humanitário, como a distinção, a proporcionalidade e as precauções para proteger os civis”, disse Türk. “Esses princípios são inegociáveis e devem ser sempre respeitados, quaisquer que sejam as circunstâncias do conflito armado.”
Ele acrescentou: “Deve haver investigações rápidas e independentes sobre todas as supostas violações, e os responsáveis devem ser levados à justiça.”



