Carolina do Norte aprova mudanças no mapa eleitoral para disputa de 2026
Partido Republicano controla Congresso do estado; projeto é visto como manobra para aumentar número de assentos

O Senado da Carolina do Norte aprovou um novo mapa do Congresso com o objetivo de ajudar os republicanos. A ideia é que o partido conquiste uma cadeira adicional para consolidar a maioria na Câmara dos EUA após as eleições de meio de mandato do próximo ano.
A votação ocorreu um dia após os deputados republicanos que controlam a legislatura da Carolina do Norte abrirem formalmente o debate sobre o mapa, que tem como alvo um distrito da Câmara atualmente representado pelo deputado democrata Don Davis – um dos três integrantes negros do Congresso do estado.
As novas linhas distritais visam dar aos republicanos a vantagem de 11 das 14 cadeiras da Carolina do Norte na Câmara dos EUA.
O partido Republicano atualmente controla 10 cadeiras sob o mapa usado nas eleições do ano passado.
O mapa segue para a Câmara da Carolina do Norte, que deve dar sua aprovação final esta semana. A lei estadual não concede ao governador democrata Josh Stein, democrata, poder de veto sobre a legislação de redistritamento — embora seja provável que haja discordâncias sobre o mapa.
Estratégia dos democratas
A Carolina do Norte é o mais recente estado controlado pelo partido Republicano a ceder às exigências do presidente Donald Trump para traçar novas linhas distritais, a fim de impedir que os democratas dominem a Câmara dos Representantes dos EUA.
Eleições em anos em que não há a escolha de um novo presidente geralmente favorecem o partido fora do poder na Casa Branca.
E os democratas precisam conquistar apenas mais três cadeiras para assumir o controle da Câmara.
Uma Câmara controlada pelos democratas poderia frustrar a agenda de Trump e iniciar investigações durante os dois últimos de seu mandato, envolvendo suas ações e as de seu governo.
Batalhas sobre distritos eleitorais estão em andamento em todo o país – depois que Trump deu início à disputa pressionando os republicanos no Texas a elaborarem novos mapas para ajudar o partido a conquistar mais cinco cadeiras.
Os democratas na Califórnia, liderados pelo governador Gavin Newsom, responderam com sua própria iniciativa de alteração do mapa eleitoral dos distritos do estado.
Essa iniciativa pede aos eleitores, no próximo mês, que substituam os atuais mapas do Congresso do estado por novos que visam garantir ao partido cinco cadeiras na Câmara dos Representantes dos EUA.
Controvérsias entre partidos
Durante o debate desta semana, os republicanos da Carolina do Norte deixaram claros seus objetivos políticos.
Se os democratas retomarem a Câmara, eles irão "destruir a agenda do presidente Trump", disse o senador estadual Ralph Hise, o republicano que ajuda a supervisionar a legislação sobre mapas.
Hise alegou que democratas em todo o país manipularam mapas para favorecer seu partido em ciclos anteriores de redistritamento.
"A Carolina do Norte está combatendo fogo com fogo", acrescentou o senador em um comunicado. "Se Gavin Newsom e seus comparsas democratas quiserem tentar assumir o controle do Congresso para impor sua agenda liberal ao povo americano, então responderemos na mesma moeda."
O líder do Senado da Carolina do Norte, Phil Berger, também defendeu a votação, argumentando que os democratas em todo o país "passaram décadas" manipulando os estados que controlam.
“Os republicanos da Carolina do Norte não ficarão quietos assistindo os democratas continuarem a ignorar a vontade do povo na tentativa de impor sua agenda liberal aos nossos cidadãos”, disse Berger em um comunicado.
“Este novo mapa respeita a vontade dos eleitores da Carolina do Norte, que enviaram o presidente Trump à Casa Branca três vezes", acrescentou o líder do Senado.
Enquanto isso, os democratas acusaram os parlamentares republicanos de se curvarem às exigências de Trump sem levar em conta os eleitores do estado.
“Claramente, este novo mapa do Congresso é inaceitável”, disse Davis em um comunicado, observando que o distrito o elegeu e votou em Trump em 2024.
“O que está acontecendo hoje é uma resposta de um presidente que exigiu fidelidade dos membros de seu partido que controlam as legislaturas em todo o país”, disse a senadora estadual democrata Julie Mayfield durante o debate no plenário nesta terça-feira (21).
Outro democrata, o senador estadual Michael Garrett, classificou a votação como um momento perigoso para a democracia americana.
“Historiadores do futuro olharão para 2025 e perguntarão: ‘Quando a democracia estava abertamente sob ataque, quando um presidente exigiu que os estados fraudassem suas eleições, quando milhões foram às ruas implorando a seus líderes que protegessem seus direitos, o que fizeram aqueles no poder?’”, disse Garrett. “Eles apoiaram o povo ou os poderosos?”



