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    Carro-bomba e confusão: o assassinato de Darya é flashback da Rússia dos anos 90

    Independentemente de quem está por trás do assassinato, ou se ela ou seu pai eram o alvo real, o episódio pode marcar uma mudança no padrão de mortes políticas russas moderno

    Nathan Hodgeda CNN

    A morte de Darya Dugina, filha do ultranacionalista russo Alexander Dugin, é, à primeira vista, um flashback da Rússia dos anos 1990, quando gângsteres acertavam as contas com assassinatos contratados e carros-bomba.

    Dugin é uma criatura que ganhou destaque na mesma década. Ele emergiu da política marginal, mais notavelmente como membro fundador do Partido Nacional-Bolchevique, provocadores políticos que combinavam o simbolismo comunista e fascista com uma grande dose de sentimento antiocidental.

    Existem opiniões divergentes sobre seu relacionamento com o presidente russo Vladimir Putin agora, embora os ensinamentos do filósofo estivessem alinhados com o expansionismo do presidente russo, e Dugin seja um defensor feroz da guerra da Rússia na Ucrânia.

    Mas a Rússia hoje é um lugar muito diferente do gangsterismo da década de 1990. A ascensão de Putin na véspera de Ano Novo de 1999 deu início a um novo contrato social: a Rússia veria o fim de sua ilegalidade criminal e, em troca, os russos aceitariam uma forma de governo autoritário.

    Os bandidos não governavam mais a Rússia. Os serviços de segurança de Putin, sim. Isso não significava que os assassinatos não fossem mais uma característica do cenário político da Rússia: é apenas que eles eram tipicamente cometidos contra aqueles que desafiavam a autoridade do líder.

    Independentemente de quem está por trás do assassinato, ou se Darya ou seu pai eram o alvo real, o episódio pode marcar uma mudança no padrão de mortes políticas russas moderno.

    Décadas de mortes suspeitas

    Ao longo das duas décadas do governo de Putin, muitos de seus oponentes mais proeminentes tiveram fins violentos.

    Um dos primeiros casos foi o assassinato da jornalista investigativa Anna Politkovskaya. Ela foi morta a tiros na escada de seu prédio – no aniversário de Putin. Prisões e condenações aconteceram, mas seus colegas ainda insistem que os responsáveis ​​pelo assassinato nunca foram levados à justiça.

    Depois houve o envenenamento de Alexander Litvinenko, um ex-agente do Serviço Federal de Segurança (FSB), que emergiu como um crítico incisivo de Putin. Litvinenko morreu em 2006 depois que seu chá foi doseado com polônio-216, altamente radioativo. Em uma declaração no leito de morte, Litvinenko culpou Putin; o Tribunal Europeu de Direitos Humanos e um inquérito britânico disseram que agentes russos administraram o tal veneno fatal.

    A sociedade russa foi abalada em 2015 pelo assassinato do político Boris Nemtsov. A figura política, um crítico aberto do envolvimento de Putin na guerra na região de Donbass, na Ucrânia, foi morta a tiros em vista do Kremlin.

     

    A lista continua. Alexei Navalny, que em muitos aspectos herdou o manto de líder da oposição de Nemtsov, atualmente está confinado em um lugar “não revelado”. Ele sobreviveu ao envenenamento com o agente nervoso Novichok, algo que ele atribui aos serviços de segurança da Rússia.

    O carro-bomba que matou Dugina tem mais do que uma leve semelhança com os assassinatos obscuros de uma série de líderes separatistas pró-Rússia na região de Donbass nos anos que antecederam a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia no início deste ano.

    Em muitos desses casos, como o atentado a bomba em um café que matou o líder separatista de Donetsk, Alexander Zakharchenko, as autoridades russas atribuíram os assassinatos a espiões ou sabotadores ucranianos.

    Muitos observadores, no entanto, suspeitaram que esses assassinatos provavelmente foram os serviços de segurança russos se livrando de líderes separatistas problemáticos que eram muito difíceis de controlar.

    Outra explicação possível poderia ser que os assassinatos estivessem realmente ligados a disputas comerciais que haviam sido resolvidas à maneira clássica de gângster.

    Embora não saibamos quem está por trás desse ataque, o que é certo é que o governo russo encontrará uma maneira de capitalizar isso.

    O Kremlin já aproveitou o assassinato de Darya para culpar um inimigo externo – a Ucrânia – com o FSB nesta segunda-feira (22) acusando os serviços especiais ucranianos de envolvimento do caso, informou a mídia estatal TASS.

    A Ucrânia negou qualquer envolvimento no assassinato de Darya, chamando as alegações do FSB de ficção.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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