Caso Epstein: CEO do Fórum Econômico Mundial renuncia após investigação
Borge Brende anunciou sua saída semanas após revelações sobre jantares e e-mails com o criminoso sexual

O presidente e CEO do FEM (Fórum Econômico Mundial), Borge Brende, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (26), algumas semanas após o fórum iniciar uma investigação independente sobre seu relacionamento com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Brende, que assumiu a presidência do FEM em 2017, anunciou sua decisão em um comunicado após revelações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que mostraram que o norueguês teve três jantares de negócios com Epstein e também se comunicou com o magnata por e-mail e mensagens de texto.
"Após cuidadosa reflexão, decidi renunciar ao cargo de presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial. Meu tempo aqui, ao longo de oito anos e meio, foi profundamente gratificante", disse Brende. O comunicado não mencionou Epstein.
"Sou grato pela incrível colaboração com meus colegas, parceiros e eleitores, e acredito que agora é o momento certo para o Fórum continuar seu importante trabalho sem distrações", acrescentou Brende, ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega.
Brende afirmou que desconhecia o passado e as atividades criminosas de Epstein antes de conhecê-lo em 2018 e que se arrepende de não tê-lo investigado mais a fundo.
A decisão de Brende de renunciar ao cargo ocorre após uma série de revelações relacionadas a Epstein, que em 2008 foi condenado por aliciar uma menor para prostituição. As revelações abalaram as elites empresariais e políticas, até mesmo a família real britânica.
Revisão independente
Em uma declaração separada, Andre Hoffmann e Larry Fink, copresidentes do fórum com sede em Genebra que organiza a cúpula anual de Davos, afirmaram que a revisão independente conduzida por consultores externos sobre os laços de Brende com Epstein foi concluída.
As conclusões indicaram que não foram encontradas novas preocupações além das já divulgadas, acrescentaram.
Os copresidentes disseram que Alois Zwinggi, do WEF, atuará como presidente e CEO interino e que o Conselho de Curadores do fórum supervisionará a transição de liderança, incluindo um plano para conduzir um processo de identificação de um sucessor permanente.
Caso Epstein
O Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais de três milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein, que morreu por suicídio na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual.
Seus laços com uma longa lista de líderes empresariais e políticos, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o CEO da Tesla, Elon Musk, estão sob rigorosa investigação.
No exterior, as revelações levaram a investigações criminais contra Andrew Mountbatten-Windsor, ex-duque de York, e outras figuras proeminentes.


