Casos de Covid-19 disparam em estados-chave a poucos dias da eleição nos EUA

Na sexta-feira (23) e no sábado (24), os Estados Unidos tiveram mais de 83 mil casos diários, superando um recorde de julho

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O número de novos casos de Covid-19 bateu recorde neste fim de semana nos Estados Unidos, a dez dias da eleição entre o presidente Donald Trump e o democrata Joe Biden. Um dos principais temas da campanha, e apontado por especialistas como um ponto fraco da candidatura republicana, o contágio pelo novo coronavírus tem aumentado em estados que devem ser decisivos no colégio eleitoral, como Wisconsin, Flórida, Michigan e Pensilvânia. 

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O presidente dos EUA Donald Trump
O presidente dos EUA Donald Trump
Foto: Carlos Barria/Reuters (30.set.2020)

Na sexta-feira (23) e no sábado (24), os Estados Unidos tiveram mais de 83 mil casos diários, superando um recorde de julho, quando a pandemia devastou os estados do sul do país. Agora, o contágio cresce no chamado “cinturão da ferrugem”, que abriga estados industriais como Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Minnesota. Esses estados foram cruciais para dar a Trump a vitória contra Hillary Clinton quatro anos atrás e o presidente precisa vencer nesses locais de novo, se quiser ficar mais quatro anos no poder. 

A situação mais crítica fica em Wisconsin, onde Trump ganhou por apenas 22 mil votos em 2016 e participou de comícios neste fim de semana. Ali, foram registrados 4,6 mil casos nas últimas 24 horas, um aumento de 66% na comparação com a média de 14 dias atrás. O aumento de mortes e internações também preocupa. Aumentaram 148% e 42%, na comparação quinzenal. 

Em Waukesha, Wisconsin, Trump disse em um comício lotado que a Covid-19 está indo embora. “Está indo embora, logo atrás da porta”, disse. “As vacinas estão vindo e os remédios são incríveis.”

Biden e os democratas tem concentrado a campanha nas críticas ao manejo da pandemia por parte do presidente. Os Estados Unidos lideram o ranking de mortes e casos da doença desde março, com mais de 8,5 milhões de infectados e 224 mil mortes.

No debate da quinta-feira, o democrata voltou a acusar Trump de saber da gravidade da doença logo de início e não fazer nada para detê-la. 

Médicos e epidemiologistas, no entanto, estão preocupados. Os casos têm aumentado em 35 dos 50 estados americanos. Em Michigan, vizinho a Wisconsin, a situação é crítica. O estado teve 3,3 mil novos casos no sábado – um recorde desde o início da pandemia.

“Os dados são alarmantes. Se as infecções continuarem subindo, os hospitais vão lotar e muitas pessoas vão morrer”, disse em nota o secretário de Saúde Joneigh Khaldun. 

Na Pensilvânia, os casos voltaram ao patamar de abril, segundo a secretaria de saúde local. E na Flórida, o número de infecções diárias superou 4 mil pela terceira vez este mês. 

Em comum, esses quatro estados têm o poder de decidirem a eleição para um lado ou para outro. Em 2016, todos foram vencidos por Trump. Desta vez, Biden lidera as pesquisas, mas por margens pouco confortáveis. 

Especialistas em eleições americanas acreditam que Trump precisa da Flórida e da Pensilvânia para se reeleger e torcer para que Biden não surpreenda no Arizona e na Geórgia, tradicionais redutos republicanos. 

 

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