William Waack

Catar classifica ataque de Israel como "terrorismo de Estado"

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu operação militar como "porta para o fim da guerra"; bombardeio em Doha matou cinco membros do Hamas

Mariana Janjácomo, da CNN, em Washington, DC
Local atacado por Israel em Doha, no Catar
Local atacado por Israel em Doha, no Catar  • (Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)
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Em uma ação inédita nesta terça (9), o Exército de Israel realizou um ataque direcionado a líderes do Hamas baseados no Catar, o país que sedia reuniões para um acordo de cessar-fogo sobre a guerra na Faixa de Gaza.

O ataque envolveu mais de 10 caças que dispararam mais de 10 munições. Os alvos eram prédios residenciais onde vivem integrantes do escritório político do Hamas em Doha, o braço do grupo que conduz negociações para uma trégua no conflito com os israelenses.

O Hamas afirma que cinco dos seus membros morreram na operação, mas que líderes do alto escalão não foram atingidos.

O bombardeio foi condenado pela comunidade internacional, que enxergou o caso como uma violação da soberania do Catar. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Egito se manifestaram contra o ataque, assim como a União Europeia e o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres.

O Catar não mantém relações diplomáticas oficiais com Israel, mas é tido como um país amistoso. Por isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou que Doha fosse sede para negociações indiretas por um acordo.

Os cataris têm desempenhado um papel essencial nas negociações para um acordo de cessar-fogo, servindo de palco para discussões e dialogando com Israel, Hamas e os Estados Unidos.

Israel afirma que conduziu o ataque de forma independente – mas o governo Trump diz que avisou o Catar com antecedência e que o presidente Donald Trump conversou com Netanyahu depois do ataque. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump garantiu às autoridades cataris que novos ataques não acontecerão.

O Catar nega o recebimento de qualquer aviso prévio. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do país disse que a ligação dos Estados Unidos veio quando as explosões já atingiam Doha.

O primeiro-ministro do país, sheik Mohammed bin Jassim Al-Thani, afirmou que o país tem o direito de responder à ofensiva, mas ressaltou que segue com o papel de mediador no conflito. "Não podemos chamá-lo [o ataque de Israel] de outra coisa senão terrorismo de Estado", disse Al-Thani em uma coletiva.

Já Netanyahu afirmou que a operação foi totalmente justificada e que ela pode ser a porta para o fim da guerra, mas não explicou como isso poderia acontecer.