Catar: danos em instalação de gás podem levar anos para reparo
Ataque iraniano afetou produção e obrigará cortes no fornecimento a mercados internacionais

Os ataques de mísseis do Irã reduziram a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do Catar em 17%, segundo a empresa estatal QatarEnergy.
“Os danos extensos às nossas instalações de produção levarão até cinco anos para serem reparados”, afirmou a companhia em postagem na rede X, nesta quinta-feira (19), acrescentando que o fornecimento para os mercados da Europa e da Ásia será afetado.
O ataque ocorreu na instalação de GNL de Ras Laffan, a maior do mundo, na quarta-feira (18), em retaliação a um ataque anterior de Israel ao campo de gás South Pars, do Irã.
Saad Sherida Al-Kaabi, ministro de Estado para Assuntos Energéticos do Catar e presidente e CEO da QatarEnergy, afirmou na postagem que ninguém ficou ferido nos ataques, que classificou como “ataques injustificados e sem sentido… à segurança e estabilidade energética global”.
Al-Kaabi acrescentou que as exportações para China, Coreia do Sul, Itália e Bélgica serão impactadas.
“Seremos obrigados a declarar força maior em alguns contratos de longo prazo de GNL por até cinco anos”, disse.
O termo força maior refere-se a circunstâncias imprevisíveis que impedem uma empresa de cumprir um contrato.
As exportações da QatarEnergy, responsáveis por quase 20% do fornecimento global de GNL, já estavam paralisadas devido ao quase bloqueio no Estreito de Ormuz, e toda a produção havia sido interrompida em 2 de março, após um ataque anterior.
Mesmo antes dos últimos ataques, países da Ásia e Europa que dependem da importação de gás natural vinham tentando se adaptar, já que os preços do GNL dispararam neste mês, elevando os custos de geração de energia, aquecimento residencial e produção de fertilizantes.


