Centenas de munições da II Guerra Mundial são achadas em vila francesa
Projéteis foram descobertos em Le Porge após incêndios devastadores que varreram o sudoeste da França no mês passado

Centenas de projéteis e munições da II Guerra Mundial foram descobertos na vila francesa de Le Porge, enquanto os moradores retornam à comunidade devastada após os incêndios do mês passado, de acordo com as autoridades locais.
Explosões foram ouvidas próximo à vila na região francesa de Gironde após os incêndios devastadores, que varreram o sudoeste do país.
"Uma operação de desativação de bombas foi realizada hoje com especialistas da Proteção Civil, recuperando mais de 400 projéteis e munições", disse um comunicado da autoridade local na segunda-feira (3).
À medida que as chamas se aproximavam da comunidade em julho, a maioria dos 3.500 moradores da vila foi forçada a fugir de suas casas, enquanto centenas de bombeiros foram mobilizados para combater incêndios mais violentos e imprevisíveis do que nos anos anteriores.
As temperaturas no centro e no leste da Europa devem em breve ficar de 10 a 15 graus Celsius acima do normal, enquanto incêndios continuam a se alastrar na Grécia e na Itália.
Na Hungria, a única usina nuclear do país esteve a "milímetros" de ser desligada na madrugada de terça-feira (4) devido aos baixos níveis de água em partes do Rio Danúbio, disse o primeiro-ministro Péter Magyar.
Já a Áustria registrou sua temperatura mais alta de todos os tempos na terça-feira, com 40,8º C, segundo o serviço meteorológico do país, citando uma medição provisória.
A Europa sempre enfrentou incêndios florestais, mas os cientistas são categóricos ao afirmar que as mudanças climáticas estão tornando-os cada vez mais extremos.
Os incêndios na França queimaram até agora mais de 160.000 hectares, tornando-os os maiores já registrados no país.
Ao retornar à comunidade carbonizada, as autoridades de Le Porge fizeram uma descoberta surpreendente. Apesar de a II Guerra Mundial ter terminado há mais de 80 anos, munições não explodidas ainda estão espalhadas por todo o continente e são frequentemente descobertas ou desenterradas décadas depois.
O presidente francês Emmanuel Macron disse no mês passado: "A situação com a qual estamos lidando hoje é a mais grave que já registramos, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial."
"Após os incêndios, foram ouvidas explosões, e respondemos na semana passada, e encontramos esse campo e removemos 75 projéteis", disse o comandante Philippe Delemotte, chefe da unidade de desativação de bombas de Bordeaux, ao veículo francês France Info em entrevista na segunda-feira.
"Aqui, por exemplo, há duas granadas de morteiro, uma granada de morteiro francesa e algumas granadas alemãs de 5 (centímetros)", disse ele.
Não está claro por que as munições passaram despercebidas por tanto tempo, mas Delemotte disse que o calor fez com que vários dos projéteis enterrados explodissem, alertando as autoridades sobre sua localização.
As autoridades estabeleceram rapidamente uma zona de exclusão devido ao risco para o público, com Delemotte afirmando que uma explosão poderia potencialmente lançar "fragmentos letais" voando por várias centenas de metros pelo ar.
"Queimou tudo, até os animais"
Na segunda-feira, a prefeita da região de Gironde, Sophie Brocas, autorizou os moradores a retornarem aos bairros afetados após a realização de uma avaliação de segurança. Os incêndios ainda estão ativos nas áreas costeiras próximas, mas permanecem "contidos", de acordo com as autoridades.
Questionado sobre a descoberta das munições de guerra, Delemotte disse que as autoridades "às vezes se deparam com isso, mas é raro porque aqui elas estão espalhadas praticamente por toda parte." O oficial francês disse acreditar que as munições eram provenientes de fossas históricas de demolição.
Fotos tiradas na segunda-feira mostraram moradores retornando à vila carbonizada e vasculhando os restos de suas casas destruídas pelo fogo. Um morador local disse à CNN no mês passado que perdeu sua casa e seus animais de estimação quando o incêndio florestal devastou Le Porge.
"Foi o apocalipse", disse o morador. "Queimou tudo, até os animais."
Em toda a Europa, outros objetos históricos também foram revelados neste verão devido ao calor recorde e às secas severas que atingem as vias fluviais do continente.
Alguns rios da Europa encolheram a tal ponto que relíquias há muito submersas, de ossos antigos a naufrágios centenários, foram reveladas.
Na Hungria também, onde a crise de calor está sobrecarregando gravemente o fornecimento de energia do país, a queda do nível das águas do Rio Danúbio expôs várias bombas, provavelmente da II Guerra Mundial, disse um oficial local na semana passada.
O Serviço Meteorológico Húngaro prevê que Budapeste chegue a 40º C por três dias consecutivos, algo que ocorreu apenas uma vez na história registrada da cidade, no início deste verão, durante a grande onda de calor europeia no final de junho.
Magyar afirmou na terça-feira que a Hungria pode precisar considerar um tipo diferente de sistema de resfriamento para a usina nuclear de Paks, no país, em vez de depender do Danúbio, conforme informou a Reuters. A água do rio é utilizada para resfriar o núcleo do reator da usina e outros componentes essenciais.
*Taylor Ward, Monica Garrett e Ivana Kottasová, da CNN, contribuíram com a reportagem.


