Centenas protestam contra aumento do preço de combustíveis nas Filipinas

Greve nacional deve durar dois dias e foi organizada pelos sindicatos de transporte do país; desde o início da guerra, o preço do diesel e da gasolina subiu mais que do que o dobro

Yasmin Coles, da CNN
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Centenas de pessoas marcharam por Manila, capital das Filipinas, nesta sexta-feira (27) para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis. Atualmente, o país enfrenta uma grande crise energética desencadeada pelo conflito no Oriente Médio.

O protesto fez parte de uma greve nacional de dois dias, organizada pelos sindicatos de transporte do país. Desde o início da guerra, o preço do diesel e da gasolina mais que dobrou.

“Meus ganhos de 500 pesos (aproximadamente R$ 43,29) por dia agora vão quase que exclusivamente para a o auxílio escolar dos meus filhos. Não dá para comprar comida”, afirmou Michael Llabore, motorista de jeepney e pai de cinco filhos. “O presidente precisa explicar por que permite que as companhias petrolíferas aumentem os preços quase todos os dias.”

Os manifestantes marcharam pela cidade em direção ao Palácio Presidencial, onde havia barricadas e forte presença policial.

No início desta semana, as Filipinas se tornaram o primeiro país do mundo a declarar estado de emergência devido à escassez de energia.

O presidente Ferdinand Marcos Jr. alertou para o “perigo iminente” à “disponibilidade e estabilidade do fornecimento de energia do país”.

A secretária de Relações Exteriores das Filipinas, Maria Theresa Lazaro, disse à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, que o país tinha reservas de petróleo suficientes para 40 a 45 dias e descreveu os “efeitos em cascata” do aumento dos preços da energia na economia.

As medidas incluem a implementação de subsídios aos combustíveis e outras iniciativas para reduzir os custos de transporte, além de ações contra o açambarcamento, a especulação e a manipulação do fornecimento de derivados de petróleo.

Motoristas de jeepney e outros operadores de transporte público têm lutado para sobreviver em meio à disparada do preço do petróleo.

Allan Las Pinas, de 46 anos, também motorista de jeepney, relatou que o aumento do preço do petróleo reduziu sua renda diária.

“Antes, eu conseguia dar parte do meu salário todos os dias para os meus filhos, mas agora peço que tenham paciência porque não consigo mais”, afirmou ele. “Como ganho menos agora, meu salário vai para a comida. Então, eles não têm mais mesada para a escola.”

Cerca de 98% das importações de petróleo das Filipinas vêm do Oriente Médio, o que torna o país – e grande parte da Ásia – especialmente vulnerável a interrupções no fornecimento.

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