Cessar-fogo no Oriente Médio é mais "uma redução de combates", diz ONU

António Guterres defendeu negociações para fim do conflito e afirmou que bloqueio do Estreito de Ormuz provoca dificuldades e instabilidade em todo o mundo

Da CNN Brasil
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O secretário-geral das ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou na madrugada desta quinta-feira (11) que o cessar-fogo no Oriente Médio é "mais como um fogo menor".

Em publicação no X, Guterres afirmou que o "Oriente Médio está sendo arrastado para uma crise ainda mais profunda e as consequências se estendem muito além da região. Esta semana trouxe uma ampliação dos ataques e uma deterioração ainda maior da situação, em que o cessar-fogo se parece mais com uma redução dos combates."


"Não devemos minimizar o risco de que essa redução dos combates se transforme em uma guerra em larga escala", completou Guterres.

Na sequência, o porta-voz da ONU se posicionou sobre os impactos provocados pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, declarando que restrições na via marítima estão causando dificuldades e instabilidade em todo o mundo.

"Mesmo no melhor cenário possível, os efeitos desses impactos serão sentidos por muitos meses — com os países em desenvolvimento suportando as consequências mais severas", escreveu Guterres.


Em outra publicação, o secretário-geral das ONU defendeu a paz na região e também se posicionou sobre os ataques de Israel contra Hezbollah no Líbano e a ocupação do governo israelense na Cisjordânia.

"Apoio plenamente que o governo libanês detenha o monopólio das armas. O processo deve começar com um cessar-fogo abrangente, respeitado por todas as partes em todos os locais, aliviando o sofrimento das comunidades dos dois lados da Linha Azul", afirmou Guterres.

Relembre como começou a guerra no Irã

No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".

Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.

Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.

Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.

O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.