Chanceler do Irã afirma que "não há planos para enforcamentos", diz TV
Organizações de Direitos Humanos relatam que a medida é comum em prisões do país como forma de sentença

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou na quarta-feira (14) que "não há nenhum plano" do Irã para enforcar pessoas, ao ser questionado sobre os protestos antigovernamentais no país do Oriente Médio.
"Não há nenhum plano para enforcamentos", disse o ministro à Fox News em entrevista ao programa "Special Report with Bret Baier". "Enforcamento está fora de questão", afirmou ele.
Segundo a Sociedade de Direitos Humanos do Irã, com sede na Noruega, enforcamentos são comuns em prisões iranianas.
Em entrevista à emissora americana CBS News na terça-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que tomaria "medidas muito duras" se o Irã começasse a enforcar manifestantes, mas não deu mais detalhes sobre seus comentários.
"Se eles os enforcarem, vocês verão algumas coisas", disse Trump.
Trump afirmou na quarta-feira (14) que foi informado de que as mortes na repressão do governo iraniano aos protestos estavam diminuindo e que acreditava não haver, no momento, nenhum plano para execuções em massa.
O líder americano tem avaliado uma resposta à situação no Irã, que enfrenta os maiores protestos antigovernamentais em anos.
O Irã travou um conflito de 12 dias com Israel, aliado dos EUA, no ano passado, e suas instalações nucleares foram bombardeadas pelos militares americanos em junho. Trump tem aumentado a pressão sobre os líderes iranianos, inclusive ameaçando com uma ação militar.
Os protestos representaram um dos maiores desafios ao regime teocrático no país desde a Revolução Islâmica de 1979, à medida que evoluíram de queixas sobre graves dificuldades econômicas para apelos desafiadores pela queda do establishment clerical profundamente enraizado.
A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos EUA, afirmou ter verificado até o momento a morte de 2.403 manifestantes e 147 indivíduos ligados ao governo. A HRANA relatou 18.137 prisões até o momento.
O governo iraniano atribui as dificuldades econômicas às sanções estrangeiras e alega que seus inimigos estrangeiros estão interferindo em seus assuntos internos.


