Chefe da ONU condena expansão do controle de Israel sobre a Cisjordânia

Secretário-geral afirmou que decisão "está desgastando a perspectiva da solução de dois Estados”

Soren Larson e David Brunnstrom, da Reuters
Bandeira israelense tremula, com parte do assentamento israelense de Maale Adumim ao fundo na Cisjordânia ocupada por Israel  • 14/08/2025REUTERS/Ronen Zvulun
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou nesta segunda-feira (9) a ação de Israel para facilitar a expansão dos assentamentos e ampliar seus poderes na Cisjordânia.

As decisões de domingo (8) do gabinete de segurança de Israel tornarão mais fácil para os colonos judeus comprar terras na Cisjordânia e darão às autoridades israelenses mais poder para agir em áreas supostamente sob total controle palestino, disseram dois ministros israelenses.

O chefe da ONU está “gravemente preocupado” com a situação, disse seu porta-voz, Stephane Dujarric, a repórteres na sede da ONU em Nova York.

Segundo o porta-voz, Guterres alertou que a decisão "está desgastando a perspectiva da solução de dois Estados”.

Ministros israelenses emitiram uma declaração conjunta explicando as decisões do gabinete de segurança, que não foi publicada na íntegra.

O gabinete de segurança decidiu revogar uma lei de antes de 1967, quanto a Cisjordânia era controlada pela Jordânia, e eliminar a exigência de autorização de um gabinete da administração civil para permitir assentamentos. O gabinete afirmou que essas medidas tornariam mais fácil para os judeus comprarem terras na Cisjordânia.

Uma declaração conjunta dos ministros dos Relações Exteriores do Oriente Médio e de alguns outros países muçulmanos, incluindo o Egito e a Turquia, denunciou as decisões como uma violação do direito internacional que prejudicaria uma solução de dois Estados, bem como a estabilidade na região.

Eles disseram que as medidas visavam consolidar o assentamento israelense na Cisjordânia, deslocando os palestinos e impondo a soberania israelense ilegal. A anexação do território tem sido uma prioridade dos partidos de ultradireita da coligação de Netanyahu.