Chefe da Otan diz que míssil na Turquia não exige reposta da aliança
Artigo 5 da Otan estabelece que um ataque contra um dos membros da aliança é considerado um ataque contra todos os demais

Um incidente envolvendo um míssil que se dirigia à Turquia na quarta-feira (4), em meio à guerra em curso com o Irã, não é motivo imediato para acionar o Artigo 5 de defesa mútua da Otan, disse o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, à Reuters nesta quinta-feira (5).
“Ninguém está falando sobre o Artigo 5”, afirmou Rutte. “O mais importante é que nossos adversários viram ontem que a Otan é muito forte e muito vigilante.”
O Artigo 5 da Otan estabelece que um ataque contra um dos membros da aliança é considerado um ataque contra todos os demais.
Rutte disse que a Otan apoia os Estados Unidos nos ataques contra o Irã, pois o país estava “próximo de se tornar uma ameaça também para a Europa”.
À medida que a guerra entre EUA e Irã entrava em seu sexto dia, o conflito se expandiu além dos países do Golfo e chegou à Ásia, abalando os mercados globais e levando milhares de turistas e residentes retidos a tentar deixar o Oriente Médio.
França
Rutt também disse que o discurso do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre dissuasão nuclear não foi motivado por preocupação com o compromisso dos Estados Unidos como aliado, já que Washington está totalmente comprometido com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), disse o chefe da aliança, Mark Rutte, à Reuters.
“Isso não tem nada a ver com qualquer preocupação em relação aos EUA”, disse Rutte em entrevista. “E, de forma mais geral, estou absolutamente convencido de que os Estados Unidos estão completamente comprometidos com a Otan.”
Macron disse na segunda-feira que a França aumentará o tamanho de seu arsenal nuclear e fortalecerá sua capacidade de dissuasão, com um risco crescente de conflitos globais ultrapassarem o limiar nuclear.
“Estamos passando por um período de turbulência geopolítica repleto de riscos”, disse Macron em um discurso proferido em uma base submarina na Bretanha, acrescentando ser necessário um “endurecimento” do modelo de dissuasão francês.
A França tem criticado o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a operação ocorreu “fora do marco do direito internacional, algo que não podemos aprovar”.
No entanto, com a rápida expansão do conflito pelo Oriente Médio, o país reposicionou mais meios militares ao enviar seu porta-aviões nuclear Charles de Gaulle e fragatas de escolta para o Mediterrâneo.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.
Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".
Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.


