Chefe de direitos humanos da ONU critica prisões e execuções no Irã

Volker Turk criticou detenções sem o devido processo legal e pediu que mortes por execução "sejam imediatamente suspensas"

Da Reuters
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O chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Turk, disse nesta quarta-feira (1º) que estava "indignado" ao ver iranianos sendo, segundo ele, "detidos arbitrariamente, presos, processados ​​sem o devido processo legal e, em alguns casos, até mesmo executados pelo próprio governo".

Em uma declaração em vídeo, Turk pediu que todas as execuções "sejam imediatamente suspensas", acrescentando que três das oito execuções relatadas desde o início da guerra "estavam relacionadas aos protestos". 

Turk também afirmou que mais de 2.300 pessoas foram presas no país devastado pela guerra desde o início do conflito com os Estados Unidos e Israel, e "acusadas de crimes relacionados à segurança nacional, incluindo terrorismo, dissidência, suposta espionagem e cooperação com o inimigo".

Ele também destacou os "relatos contínuos de interrogatórios e intimidações generalizadas de civis por forças de segurança fortemente armadas em espaços públicos", acrescentando que o país entrou em sua quinta semana de bloqueio nacional da internet.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.