Chefe militar de Israel resiste à expansão da guerra em Gaza, dizem fontes

Líder da oposição também disse a Benjamin Netanyahu que tomada do território seria uma péssima ideia

Alexander Cornwell e Nidal al-Mughrabi, da Reuters
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrentou resistência do chefe das Forças Armadas em relação à proposta de tomar as áreas remanescentes da Faixa de Gaza que ainda não são controladas, segundo três autoridades israelenses.

Isso aconteceu em uma reunião descrita como tensa, que durou três horas na terça-feira (5).

Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, advertiu o premiê de que tomar o restante de Gaza poderia aprisionar os militares no território, do qual se retiraram há duas décadas, e poderia causar danos aos reféns mantidos lá, segundo as fontes.

O exército de Israel diz que já controla 75% de Gaza após quase dois anos de guerra, que começou quando o Hamas atacou comunidades do sul de Israel em outubro de 2023.

Grande parte do território costeiro foi devastada pela guerra, sendo que casas, escolas, mesquitas e hospitais foram destruídos.

A maior parte da população foi deslocada várias vezes e grupos de ajuda dizem que os residentes estão à beira da fome.

A ONU (Organização das Nações Unidas) classificou os relatos sobre uma possível expansão das operações militares de Israel em Gaza como "profundamente alarmantes", caso sejam verdadeiros.

Os militares, que acusam o Hamas de operar entre civis, têm evitado áreas onde o setor de inteligência sugere que reféns estejam presos, e ex-cativos falaram que seus captores ameaçaram matá-los caso as forças israelenses se aproximem.

Netanyahu disse a Zamir que, até o momento, os militares não conseguiram a libertação dos reféns, segundo as fontes. As solturas que envolveram os maiores números de sequestrados até o momento aconteceram em negociações diplomáticas.

Israel Katz, ministro da Defesa, escreveu nesta quarta-feira (6) que o chefe militar tem o direito e o dever de expressar sua opinião, mas afirmou que o Exército cumprirá as decisões do governo até que todos os objetivos de guerra sejam alcançados.

O gabinete do primeiro-ministro confirmou o encontro com Zamir na terça-feira (5), mas se recusou a fazer mais comentários, e os militares não responderam a um pedido de comentário.

Netanyahu fará nova reunião sobre Gaza

Netanyahu deve discutir os planos militares para Gaza com outros ministros nesta quinta-feira (7). Uma quarta fonte afirmou que ele quer expandir as operações militares para pressionar o Hamas.

O primeiro-ministro pontuou em maio que o país controlaria toda a Faixa de Gaza. Alguns de seus principais parceiros já ameaçaram renunciar caso o governo encerrasse a guerra.

Após uma reunião de 40 minutos com Netanyahu nesta quarta-feira (6), o líder da oposição Yair Lapid disse a repórteres que havia avisado ele de que a população não estava interessada em continuar a guerra e que uma tomada completa de Gaza seria uma péssima ideia.

Uma pesquisa pública realizada no mês passado pelo Canal 12 de Israel também mostrou apoio dos cidadãos a um acordo diplomático que encerraria a guerra e garantiria a libertação dos reféns.

Ainda há 50 reféns detidos em Gaza, dos quais se acredita que pelo menos 20 estejam vivos.

Vídeos divulgados pelo Hamas e pela Jihad Islâmica Palestina, outro grupo radical de Gaza, de dois reféns extremamente magros geraram condenação internacional.

Cerca de 200 palestinos morreram de fome no território desde o início da guerra, cerca de metade deles crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

Fome aguda na Faixa de Gaza

Mais de 20 pessoas morreram nesta quarta-feira (6) quando um caminhão que supostamente transportava alimentos capotou ao ser invadido por uma multidão desesperada, segundo autoridades de saúde locais.

Enquanto isso, as últimas negociações de cessar-fogo no Catar fracassaram no mês passado.

O Hamas insiste que qualquer acordo deve levar ao fim permanente da guerra, enquanto Israel acusa o grupo de falta de sinceridade em relação à cessão do poder posteriormente e deve ser derrotado.