China envia mais 52 aviões de guerra à Ilha de Taiwan, diz Ministério da Defesa

Pasta taiwanesa emitiu sinais de rádio ordenando que aeronaves dessem meia-volta e saíssem imediatamente após nova ação chinesa nesta segunda-feira (4)

O recorde anterior foi registrado no último sábado (2) quando 39 aviões militares chineses voaram para a zona
O recorde anterior foi registrado no último sábado (2) quando 39 aviões militares chineses voaram para a zona Ministério da Defesa de Taiwan

Eric Cheungda CNN*

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O Ministério da Defesa da Ilha de Taiwan afirmou que 52 aviões de guerra da China sobrevoaram sua Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (4), o maior número em um único dia desde que a ilha começou a relatar publicamente as “atividades de intimidação” no ano passado.

O recorde anterior foi registrado no último sábado (2) quando 39 aviões militares chineses voaram para a zona. A pasta de Taiwan alega que os aviões são um sinal de incursão dos chineses, ou seja, entrada de uma força militarizada em território estrangeiro que pode significar investida, ataque ou invasão.

Em um comunicado, o Ministério da Defesa de Taiwan disse que as 52 aeronaves chinesas incluíam 34 caças J-16, 12 bombardeiros H-6, dois caças SU-30, dois aviões de guerra anti/submarino Y-8 e dois aviões de alerta KJ-500 aerotransportados e aviões de controle.

Um mapa divulgado pelo ministério mostrou todas as 52 incursões ocorrendo no extremo sudoeste da ADIZ de Taiwan. Segundo a pasta, alertas de rádio foram emitidos e sistemas de mísseis de defesa aérea foram implantados para monitorar a atividade.

Nos avisos de rádio, a força aérea taiwanesa pode ser ouvida ordenando que a aeronave “dê meia-volta e saia imediatamente” após sua entrada em seu ADIZ. Todas as 52 incursões foram feitas no período da manhã desta segunda-feira.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos define um ADIZ como “uma área designada de espaço aéreo sobre terra ou água dentro da qual um país requer a identificação imediata e positiva, localização e controle de tráfego aéreo de aeronaves no interesse da segurança nacional do país.”

Ou seja, as incursões não violaram o espaço aéreo de Taiwan, que se estende por 12 milhas náuticas (cerca de 20 km) de sua costa.

Desde o início de outubro do ano passado, Taiwan relatou 145 incursões de aviões de guerra chineses no ADIZ, mostraram estatísticas do Ministério da Defesa.

Taiwan disposto a defender seu espaço aéreo

Depois que Taiwan relatou incursões recordes no fim de semana, sua força aérea divulgou um vídeo promocional no Facebook que dizia estar determinado a defender seu espaço aéreo.

“Quando confrontados com a agressão e provocação de nosso inimigo, nunca faremos concessões”, disse o vídeo. “A determinação de defender nossa soberania é inabalável”, diz trecho do vídeo.

A China ainda não respondeu a essas incursões, mas um artigo do jornal estatal Global, no domingo (3), disse que o Exército de Libertação do Povo (PLA) estava conduzindo “exercícios expandidos” perto de Taiwan.

Taiwan e a China são governadas separadamente desde o fim de uma guerra civil, há mais de 70 anos, em que os nacionalistas derrotados fugiram para Taipei, capital de Taiwan.

No entanto, Pequim vê Taiwan como uma parte inseparável de seu território — embora o Partido Comunista Chinês nunca tenha governado a ilha de cerca de 20 milhões de pessoas.

Xi não descarta usar força militar

O presidente chinês, Xi Jinping, se recusou a descartar a possibilidade de usar força militar para capturar Taiwan, se necessário.

No passado, analistas disseram que os voos provavelmente serviriam a vários propósitos para a China, tanto demonstrando a força do Exército de Libertação do Povo para um público doméstico, quanto dando aos chineses inteligência militar e habilidades de que seriam necessárias em qualquer conflito potencial envolvendo Taiwan.

Mas mesmo com o último aumento de voos chineses perto de Taiwan, analistas dizem que um combate real é improvável.

“A China precisa de alavancas para impedir que Taiwan adote cursos de ação indesejáveis, especialmente iniciativas voltadas para a independência”, disse Lionel Fatton, professor da Webster University, na Suíça. “Para que essas alavancas sejam potentes, a China deve [1º] ter as capacidades [militares] para ativá-las, se necessário, e [2º] a ameaça de fazê-lo deve ser crível aos olhos de Taipei.”

À CNN Internacional, Fatton afirmou, no último domingo (3), que “os exercícios aéreos recorrentes são dedicados a enviar uma mensagem clara a esse respeito”.

“Enquanto Taiwan não der passos irreversíveis em direção à independência / maior presença autônoma no cenário internacional, o combate é improvável”, acrescentou.

(*Esse texto foi traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)

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