China, impostos, hackers e vacinas: 5 pontos para entender o encontro do G7

Reunião do grupo de sete das economias mais ricas do mundo aconteceu neste final de semana e foi o primeiro desde o início da pandemia

Reunião do G7 2021
Reunião do G7 2021 Foto: Leon Neal - WPA Pool/Getty Images

Juliana Elias, da CNN, em São Paulo*

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Acabou neste domingo o aguardado encontro de três dias do G7, o grupo que reúne sete das maiores economias do mundo: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Geralmente anual, esta foi a primeira reunião, presencial, dos líderes dos sete países em quase dois anos, já que, depois do último encontro, em agosto de 2019, a pandemia de coronavírus suspendeu a agenda por todo 2020.

Donos de cerca da metade do PIB do mundo, os sete membros do grupo, criado nos anos de 1970, têm ainda o poder de ditar tendências para o debate global e direcionar o passo das políticas internacionais por meio de seu poderio econômico, com incentivos ou embargos, por exemplo. 

Após um ano completamente atípico, que pontuou o final de uma década já turbulenta na política e na economia, não faltaram temas à mesa em que o presidente norte-americano Joe Biden se sentou ao lado pela primeira vez de colegas como Boris Johnson, Angela Merkel, Emmanuel Macron e Justin Trudeau. As pautas foram de mudanças climáticas a paraísos fiscais, ameaças chinesas, hackers russos e, claro, coronavírus e vacinas. 

Veja a seguir os principais temas abordados, e que devem render novos direcionamentos para os anos à frente, dentro e fora das fronteiras dos sete países: 

Imposto mínimo para megacorporações

Ainda antes do início da cúpula, na semana passada, os ministros das finanças do G7 já haviam chegado ao acordo histórico para criar um imposto global mínimo de pelo menos 15% para as grandes empresas multinacionais. 

O grupo também concordou que as maiores empresas devem pagar impostos onde geram vendas, e não apenas onde têm presença física. O principal alvo são gigantes da tecnologia como Apple, Facebook ou Google, que têm enorme mobilidade de seus negócios e lucros e se aproveitam de paraísos fiscais, onde a tributação é mais baixa, para instalar suas sedes e deixar de pagar centenas de bilhões de dólares em impostos. 

Discutida já há alguns anos dentro da OCDE, grupo dos países mais ricos, a proposta passou a ser levada a sério após as pressões por mais gastos e mais arrecadação trazidas pela pandemia. Depende, agora, de ter o acordo político transformado em um plano formal de implantação, o que implica também em driblar tanto a resistência que haverá das corporações quanto as discordâncias pelos detalhes entre as autoridades do G7.

Promessa de 1 bilhão de vacinas

Uma das promessas que saíram da reunião foi o compromisso do grupo em doar 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 para países pobres, ao longo deste e do próximo ano. 

As doses poderão ser entregues tanto diretamente aos países beneficiados quanto por meio do Covax, o convênio organizado pelas Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início da pandemia para garantir uma distribuição igualitária da produção de imunizantes entre os países ricos e pobres. 

Apesar de as doses extras serem bem-vindas, as Nações Unidas e outras entidades criticaram a promessa por estar bastante aquém do que o mundo precisará para de fato colocar um freio sobre as mortes e infecções. Isto em um momento em que as desigualdades no acesso e no ritmo da imunização fica cada vez mais evidente entre os países desenvolvidos e os que estão do lado de baixo do Equador. 

China na mira e origens da Covid

A violação de direitos humanos na China, bem como as ameaças do país à competição global comercial, também fizeram parte da pauta. O assunto foi calorosamente debatido a portas fechadas durante a cúpula.

Um dos comunicados da cúpula, publicado neste domingo, expressou “preocupação” sobre o trabalho forçado patrocinado pelo governo chinês, particularmente nos setores agrícola, solar e de vestuário, além da perseguição às minorias muçulmanas, caso dos uigures. 

O documento também afirmou a necessidade de buscar maneiras para combater as práticas econômicas abusivas, além de defender o direito de Hong Kong a um maior grau de autonomia em relação à China.

Entre as conversas, está ainda um consenso por ampliar as investigações acerca das origens da Covid-19 em Wuhan, a cidade chinesa onde o vírus apareceu pela primeira vez, pleito que já vinha sendo feito antes por Biden às equipes de inteligência dos Estados Unidos. 

Hackers e armas químicas na Rússia

Outra demanda é que a Rússia tome medidas contra os ataques cibernéticos que estão partindo do país, caso dos ransomeware, um ataque que restringe o acesso ao sistema infectado com uma espécie de bloqueio e cobra um resgate em criptomoedas para que o acesso possa ser restabelecido. 

É o que aconteceu recentemente nos sistemas de dezenas de fábricas da brasileira de carnes JBS nos Estados Unidos, com invasões virtuais suspeitas de terem também partido da Rússia. 

Os líderes ocidentais também querem investigações sobre o uso de armas químicas no país. O pedido vem após o crítico do Kremlin Alexei Navalny ser atendido na Alemanha, com médicos alemães informando que foi um envenenamento com um agente nervoso de uso militar. Navalny acusa Putin de ordenar o envenenamento, mas o Kremlin nega as acusações. 

Meio ambiente

Esforço antigo da cúpula, os compromissos voltados para a redução na emissão de gases do efeito estufa foram renovados mais uma vez. 

Os objetivos incluem “limitar o aumento das temperaturas globais a 1,5 graus, reduzir pela metade nossas emissões coletivas até 2030, aumentando e melhorando o financiamento do clima até 2025; e conservar ou proteger pelo menos 30% de nossa terra e oceanos até 2030”, de acordo com o documento final. 

Entre as medidas, está a promessa de investimentos anuais na ordem de US$ 100 bilhões até 2025, destinados a ajudar os países mais pobres a reduzirem suas emissões –incluindo um esforço especial para desincentivar o uso de geração térmica a partir do carvão, a mais poluente. 

*Com informações da CNN Internacional e Reuters

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