China negocia com os Houthis para navegar pelo Mar Vermelho, dizem fontes

Pequim pediu passagem segura de seus navios-tanque no Estreito de Bab Al-Mandeb diretamente ao grupo armado

Jonathan Saul, Parisa Hafezi, Timour Azhari e Chen Aizhu, da Reuters
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A China manteve conversas diretas com o movimento Houthis do Iêmen para permitir que seus navios-tanque naveguem pelo sul do Mar Vermelho sem serem atacados, depois que a milícia alinhada ao Irã prometeu impedir o acesso aos portos sauditas; a informação foi dada por seis fontes a par do assunto.

O grupo armado declarou um bloqueio em 20 de julho, abrindo uma nova frente contra os EUA e seus aliados no conflito envolvendo o Irã e ampliando os ataques a navios-tanque que transportam energia e outros suprimentos para mercados além do Oriente Médio.

Pequim solicitou diretamente aos Houthis a garantia de passagem segura para seus navios-tanque, segundo as fontes, entre as quais estava uma autoridade iraniana de alto escalão.

A China foi um dos primeiros países a contatar diretamente os Houthis sobre a passagem pelo Bab Al-Mandeb, o estreito situado na extremidade sul do Mar Vermelho, tendo o Iêmen em sua margem oriental, disseram as autoridades, que preferiram não ser identificadas devido à sensibilidade do assunto.

China obtém autorização individual dos Houthis para embarcações

Pequim busca manter o fluxo de exportações de petróleo a partir dos terminais sauditas no Mar Vermelho, principalmente Yanbu, para ajudar a suprir a lacuna no abastecimento causada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, na saída do Golfo, por parte do Irã.

O Ministério dos Transportes da China, o escritório de imprensa dos Houthis e o Ministério das Relações Exteriores do Irã não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Pelo menos quatro navios-tanque carregaram petróleo bruto em portos sauditas com destino à China e passaram pelo Bab Al-Mandeb desde que os Houthis anunciaram suas restrições, segundo análises da Kpler e dados de rastreamento de navios da LSEG e da MarineTraffic.

Autoridades chinesas obtiveram autorização dos Houthis para cada embarcação individualmente, disse uma das fontes, e ambos os lados avisaram o Irã sobre suas ações, segundo duas autoridades da região informadas por Teerã.

O grupo comunicou a empresas de transporte marítimo internacional, por e-mail, que as embarcações podem ser atacadas caso carreguem ou descarreguem mercadorias em portos da Arábia Saudita.

Alguns navios-tanque que tentavam entrar no Mar Vermelho pelo Bab Al-Mandeb mudaram de rota devido a preocupações com a segurança, informaram duas fontes distintas do setor comercial chinês.

Dois navios-tanque mudam de rota para evitar estreito

Os superpetroleiros New Champion e New Prime deixaram o Golfo de Aden, que fica entre o Mar Vermelho e o estreito, e seguiram para águas abertas, segundo análises da Lloyd's List Intelligence e dados de rastreamento de navios da MarineTraffic.

O New Champion deveria atracar em Yanbu para carregar petróleo, enquanto o New Prime já estava carregado, de acordo com dados da Kpler e outras informações do setor e de rastreamento de embarcações.

A operadora das duas embarcações, a Associated Maritime (sediada em Hong Kong), não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os Houthis afirmaram na semana passada ter realizado ataques com mísseis e drones contra dois navios-tanque sauditas, o Encelia e o Layla. Fontes de segurança marítima confirmaram o ataque ao Encelia, embora a Reuters não tenha conseguido confirmar de imediato o ataque à outra embarcação.

A viagem rumo ao sul, de Yanbu para a Ásia, passando por Bab Al-Mandeb, leva em média 16 dias. Se o navio seguir para o norte em direção ao Canal de Suez e depois contornar a África pelo oeste e pelo sul, a viagem leva 50 dias.

Os Houthis mantêm boas relações com a China e houve estreita coordenação entre eles no passado, especialmente no que diz respeito a embarques de petróleo da Arábia Saudita para a China, disseram à Reuters duas fontes próximas ao grupo armado.