China pode intensificar diálogo com Irã após visita de Trump, dizem fontes

Apesr de se mostrar favorável para atuar na mediação da guerra, Pequim está cautelosa quanto a exercer o papel

Sylvie Zhuang, da CNN
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A China pode intensificar o diálogo diplomático com os Estados Unidos e o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz após a visita do presidente americano Donald Trump a Pequim na semana passada, mas é improvável que atue como mediadora na crise iraniana, disseram à CNN fontes familiarizadas com o pensamento do governo chinês.

Com a histórica crise do petróleo, desencadeada pelo fechamento de Ormuz, já em seu quarto mês, a China está ansiosa por uma solução, declarou Wu Xinbo, assessor do Ministério das Relações Exteriores da China, à CNN.

"Trabalharíamos com ambos os lados nessa questão", afirmou Wu. "Manteríamos a comunicação com os EUA sobre o assunto por meio de canais diplomáticos, porque, da perspectiva de nossos interesses nacionais, a reabertura do Estreito de Ormuz o mais rápido possível é uma questão muito urgente."

Autoridades americanas têm defendido abertamente que a China intensifique os esforços para pressionar o Irã a encerrar o conflito em termos favoráveis ​​a Washington.

Trump afirmou não precisar da ajuda do líder chinês Xi Jinping, embora, durante a cúpula em Pequim, ambos tenham mencionado a necessidade de reabrir o estreito.

No entanto, uma fonte chinesa com conhecimento da situação disse que há limites para o quanto Pequim está disposta a pressionar Teerã.

“A China de fato deseja pressionar pelo fim da crise, mas não usará sua influência econômica para pressionar o Irã, como esperam os EUA”, informou a fonte, que pediu anonimato para falar livremente.

“A posição da China é que não pressionará o Irã nessa questão, pois a raiz do problema reside entre os EUA e Israel, e cabe a eles liderar o processo de resolução da crise, já que foram eles que a iniciaram”, acrescentou a fonte.

Países como o Paquistão têm atuado como mediadores diretos nas negociações entre os EUA e o Irã.

A China está menos disposta a assumir essa posição, pois reconhece que quem quer que o faça precisa manter relações equitativas com os EUA e o Irã, o que não é o caso de Pequim, afirmou a fonte.