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    China vê escalada da guerra como oportunidades para aumentar influência geopolítica, dizem especialistas

    Outra justificativa para o favoritismo chinês seriam as recentes vitórias da diplomacia de Pequim

    China encara o assunto como uma questão territorial, não religiosa
    China encara o assunto como uma questão territorial, não religiosa 09/07/2021. REUTERS/Tingshu Wang

    Gabriel Garciada CNN

    Brasília

    Com a recente escalada de conflitos no Oriente Médio – e uma possível intervenção dos Estados Unidos não descartada -, grandes oportunidades geopolíticas emergem para a China, segundo especialistas

    Para Marcus Vinicius De Freitas, professor da China Foreign Affairs University, a pragmática diplomacia chinesa é a grande favorita para o cargo de mediadora do conflito, principalmente após o envio de armamentos americanos a Israel.

    “A China encara o assunto como uma questão territorial, não religiosa. Com isto, ela reafirma a questão dos dois Estados e a necessidade do multilateralismo na resolução da questão, fortalecendo-se a ONU. A China se transforma no único mediador que vê no multilateralismo a solução do problema’’, concluiu o professor.

    Outra justificativa para o favoritismo chinês em se tornar mediador do confronto seriam as recentes vitórias da diplomacia de Pequim, como o acordo Irã-Arábia Saudita, além do contraste com a atuação norte-americana na região.

    “Após o acordo Irã-Arábia Saudita, os países poderão contrastar a atuação diplomática chinesa com a norte-americana e entender a China como menos intervencionista e mais propensa ao diálogo do comércio que a imposição da baioneta”.

    O professor também sugere que, com a escalada dos conflitos em Israel, irá acontecer um ajuste nas prioridades geopolíticas americanas, potencialmente afetando a estratégia indo-pacífica e diminuindo a influência dos Estados Unidos na Ásia, continente predominantemente dominado pela China.

    “Os Estados Unidos – que há muito pretendem desengajar-se do Oriente Médio – serão obrigados a atuar mais intensamente na região. Com isto, a estratégia indo-pacífica fica prejudicada ou reduzida, reduzindo-a interferência norte-americana na Ásia deverá reduzir”.

    China e Irã

    No epicentro desta discussão, encontra-se a estreita relação entre a China e o Irã, que se fortaleceu ao longo dos anos. Em 2021, o comércio bilateral entre as nações atingiu a marca de aproximadamente US$ 20 bilhões.

    Além disso, em 2021, os aliados assinaram um acordo de cooperação estratégica de 25 anos, que fará com que a China invista de US$ 400 bilhões a US$ 600 bilhões em diversos setores da economia iraniana.

    Para Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais, o interesse dos chineses com essa aproximação não é apenas diplomático.

    “A China também se interessa em limpar a própria imagem em relação aos Uyghurs, grupo de 12 milhões de muçulmanos que vivem na província de Xinjiang. Ao se colocar como protetor do povo palestino, ou dos muçulmanos, a China tenta se blindar da imagem de perseguidora de muçulmanos”, concluiu.

    “Além disso, a China foi quem quis trazer o Irã para o Brics para mantê-lo por perto, o que pode ser interpretado por muitos como um alinhamento muito mais pró-Irã”, disse Uriã.

    A missão do Irã nas Nações Unidas emitiu um comunicado considerando o recente ataque em Israel “fortemente autônomo e inabalavelmente alinhado com os interesses legítimos do povo palestino”.

    Diante do atual conflito, Pequim se encontra à frente de um delicado exercício diplomático, buscando manter laços estratégicos com Teerã sem comprometer sua postura de mediador internacional.

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