CNN Mundo: morte de George Floyd reacende luta antirracista

Especialistas entrevistados por Lourival Sant'Anna elogiam manifestações e destacam impacto dos atos na possível reeleição de Donald Trump

Da CNN, em São Paulo

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O CNN Mundo desta semana aborda as consequências do assassinato de George Floyd em Minneapolis, nos Estados Unidos. 

A morte do homem negro de 46 anos, desarmado, depois de passar oito minutos com um policial ajoelhado sobre seu pescoço gerou duras críticas à postura omissa do presidente Donald Trump e impulsionou a ascensão da luta antirracista nos 50 estados americanos e outros 18 países. 

Entrevistados pelo analista de internacional da CNN, Lourival Sant’Anna participam desta edição do programa Acácio Almeida, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC); Marcelo Paixão, professor associado da Universidade do Texas; e Clifford Young, presidente do Instituto de Pesquisa Ipsos nos Estados Unidos. 

Reeleição em xeque 

Para os entrevistados pelo CNN Mundo, os protestos pela morte de George Floyd devem representar uma mudança drástica no cenário das eleições presidenciais americanas em 2020. Para eles, a eleição do republicano Donald Trump que, segundo especialistas, já estava encaminhada, foi colocada em xeque. 

“A gente estava vivendo os impactos da Covid-19, que teve grande impacto na sociedade americana e no mundo todo, mas não diretamente sobre as chances de reeleição de Donald Trump. A morte de George Floyd mostrou a grande divisão na sociedade americana. Há uma grande diferença nas perspectivas de brancos e negros. Ou seja, a onda de protestos antirraciais terá mais impacto nas eleições do que o coronavírus”, afirmou Clifford Young, presidente da Ipsos nos EUA. 

O caso do policial branco sufocando um homem negro reacendeu o sentimento alimentado por séculos de injustiça e violência contra os negros no país. Segundo o censo local, os afro-americanos são 13% da população. 

Pesquisas da imprensa dos Estados Unidos revelam que, nos últimos cinco anos, a polícia matou mais americanos brancos do que negros. Mas, levando em conta que há seis vezes mais brancos no país, a proporção de negros mortos por policiais é mais que o dobro do que a de brancos. 

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Para Marcelo Paixão, a revolta pela morte de Floyd, além de ser resultado do acúmulo da opressão de brancos contra negros, é um passo importante para discutir racismo em um nível global. 

“Apesar do ocorrido aqui nos Estados Unidos ser a sucessão de injustiças e de perversidades que se volta contra a população negra, pelo menos isso tem servido, num plano global, para que o debate sobre o racismo pudesse ser colocado em cena com a importância que ele merece. Nós sabemos que o problema do racismo é um problema que marca e caracteriza a sociedade americana, mas ele é um problema que se coloca de uma forma ainda mais gritante no século XXI.”

O professor Acácio Almeida também defendeu a importância das manifestações e estimulou a participação dos mais jovens para criar um novo “modelo de paz”, que inclua a população negra. 

“No mundo a revolução sempre foi feita por jovens, velhos não fazem a revolução. Os velhos tentam impedir a perda de determinados privilégios. Então, esse é um momento muito especial. É impossível construirmos justiça sem paz. E a população negra também percebeu que a paz que é trazida, o modelo de paz, não é um modelo que inclui a população negra.”

(Edição: Marina Motomura)

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