Com aumento da violência, Roma declara “zona vermelha” ao redor do Coliseu

Reforço da segurança foi mobilizado, com poderes ampliados para proteger moradores e turistas

Barbie Latza Nadeau e Antonia Mortensen, da CNN
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O antigo Coliseu de Roma, onde gladiadores eram outrora atacados por animais selvagens para o deleite das multidões que aplaudiam, nunca esteve exatamente associado à segurança. Até mesmo na ficção, a protagonista de Henry James, “Daisy Miller”, sucumbiu à malária contraída durante uma visita noturna ao anfiteatro.

Hoje, o perigo ganhou um toque mais moderno. Em julho, um grupo de cerca de 50 jovens deixou policiais feridos em um ataque que envolveu o lançamento de fogos de artifício. As autoridades afirmam que o incidente fez parte de um padrão de aumento da criminalidade nos arredores da área histórica.

Em uma tentativa de reverter os problemas de segurança no Coliseu, as autoridades de Roma declararam agora a área ao redor do monumento como uma “zona vermelha”, o que significa que um reforço da segurança foi mobilizado, com poderes ampliados para proteger moradores e turistas. As autoridades atribuíram os problemas recentes a “crimes predatórios e tráfico de drogas” relacionados à degradação urbana. A zona permanecerá em vigor até 24 de dezembro.

Também foi reforçada a segurança nas proximidades da principal estação ferroviária da cidade, a Termini, da Basílica de São Pedro e da Basílica de Santa Maria Maior, que registrou um aumento no número de visitantes desde que o papa Francisco foi sepultado em um túmulo no local, em abril de 2025.

A nova zona vermelha contará com uma presença reforçada da polícia local 24 horas por dia, além da presença de militares. As Forças Armadas italianas já protegem atrações turísticas de grande movimento com barreiras e postos de controle improvisados. Mas, aparentemente, policiais e militares armados, vestidos com uniformes camuflados e acompanhados de veículos militares, não têm sido um elemento de dissuasão suficiente contra pequenos criminosos.

“A segurança é reforçada aqui, mas acabei de ver uma mulher ser furtada por um batedor de carteira”, disse à CNN Janelle Triton, uma turista americana da Filadélfia que visitava o Coliseu. Segundo ela, o ladrão já havia fugido quando as autoridades foram avisadas. “Fomos orientados pelo nosso hotel a não vir aqui à noite, então evitamos a área.”

A deterioração da segurança em uma das atrações mais prestigiosas de Roma ocorre apesar dos milhões de dólares gastos nos últimos anos em melhorias de infraestrutura — investimentos que, segundo autoridades, podem estar, na verdade, contribuindo para o aumento da criminalidade.

“Grave emergência de segurança pública”

Lamberto Giannini, responsável pela segurança em Roma, afirma que uma nova estação de metrô do Coliseu, parte de um projeto de US$ 8,3 bilhões para ampliar o sistema subterrâneo de transporte da cidade, é um dos fatores por trás do aumento das ocorrências.

A estação, inaugurada em dezembro de 2025, abriga um museu subterrâneo de vários andares que exibe artefatos descobertos durante anos de obras para a construção de uma nova linha de metrô. Mas Giannini afirma que ela também se tornou uma rota de acesso para jovens marginalizados que se dirigem ao centro histórico de Roma para atacar visitantes e moradores que frequentam a região depois que os turistas vão embora.

A ordem que instituiu a zona vermelha, emitida por Giannini, afirma que as medidas de segurança existentes se mostraram insuficientes para enfrentar uma “grave emergência de segurança pública” que representa um “risco de danos graves” a áreas sensíveis. A medida concede às forças de segurança poderes ampliados para prender suspeitos de causar distúrbios ou ordenar que deixem a área.

Um porta-voz da prefeitura informou à CNN que não faria mais comentários sobre o assunto, mas um relatório previsto para setembro deverá detalhar o impacto da zona vermelha sobre a criminalidade.