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    Com crise de fome em Gaza, médicos medem a desnutrição de crianças

    Dados iniciais das medições feitas em Gaza mostram que 5% dos menores de cinco anos no enclave palestino estão gravemente desnutridos

    Com crise de fome em Gaza, médicos medem a desnutrição de crianças
    Com crise de fome em Gaza, médicos medem a desnutrição de crianças 14/02/2024REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

    Ibraheem Abu Mustafada Reuters

    Médicos colocavam tiras de plástico em torno dos braços de crianças pequenas em uma tenda em Rafah para medir a circunferência de seus braços em busca de sinais de perda de massa, com uma crise de fome atingindo Gaza após meses de campanha militar de Israel.

    Uma menina de dois anos e meio tinha braços minúsculos, com a pele já começando a ficar pendurada após seu peso despencar de 11 quilos antes do conflito para apenas 7 quilos agora, disse sua mãe, Hana Tabash.

    Dados iniciais das medições feitas em Gaza mostram que 5% dos menores de cinco anos no pequeno e lotado enclave palestino agora estão gravemente desnutridos, disse a agência humanitária da ONU na semana passada.

    Muhammed Abu Sultan, um dos médicos da equipe Medglobal trabalhando com a agência de crianças da ONU, o Unicef, disse que as más condições de saúde em Gaza e a escassez de comida adequada estavam causando a desnutrição generalizada.

    Agências de auxílio humanitário acusaram Israel de atrapalhar as entregas de ajuda em Gaza e dizem que o Exército impediu a distribuição fora das regiões no sul em torno de Rafah. Acredita-se que a crise de fome é muito pior nas áreas ao norte, mais difíceis de alcançar.

    Israel negou que haja limitações à entrada de auxílio humanitário em Gaza e atribuiu os problemas às capacidades de distribuição da ONU.

    Tabash disse que sua filha estava abaixo do peso antes mesmo da guerra começar, mas que ela ficou ainda mais magra após a família fugir da sua casa em Khan Younis e buscar refúgio em Rafah, onde milhões de pessoas estão dormindo em abrigos precários.

    “Eu costumava lhe dar tratamentos médicos e suplementos, mas, na atual situação, não consigo encontrar uma solução para ela”, disse Tabash, acrescentando que sua filha teve atrasos de desenvolvimento.

    O conflito começou em 7 de outubro, quando soldados do Hamas invadiram a fronteira no sul de Israel e mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, e tomaram 253 reféns, segundo as contagens israelenses.

    A ofensiva aérea e terrestre de Israel desde então matou mais de 28.500 pessoas, também majoritariamente civis, disseram autoridades sanitárias de Gaza, governada pelo Hamas.

    O chefe de comunicação regional do Unicef, Ammar Ammar, baseado na Jordânia, disse que nas próximas semanas haverá pelo menos 10.000 crianças em Gaza correndo risco de vida por causa da desnutrição exacerbada pela falta de água potável limpa.

    “Também há um impacto direto em termos de desenvolvimento físico, habilidade cognitiva, desempenho na escola e produtividade mais tarde na vida” da desnutrição que elas estão sofrendo agora, acrescentou Ammar.