Como os ataques do Irã danificaram instalações militares dos EUA

Ofensiva aconteceu em países como Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos

Thomas Bordeaux e Gianluca Mezzofiore, Tamara Qiblawi, da CNN
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Ataques iranianos contra bases e instalações militares dos EUA em toda a Península Arábica visaram e danificaram equipamentos de comunicação, radar e inteligência, numa aparente tentativa de interromper a sua conectividade com o world exterior, segundo uma análise de imagens de satélite da CNN de mais de 60 bases.

Desde o início da campanha de bombardeios EUA-Israel, o Irã atacou bases e instalações militares americanas no Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Os ataques concentraram-se em bases e instalações americanas mais próximas do Irã, danificando pelo menos nove delas, segundo análise da CNN. Quatro das bases americanas atingidas ficam no Kuwait.

Vídeos dos ataques sugerem que o Irã está usando principalmente drones de ataque unidirecionais relativamente baratos.

Seis militares americanos foram mortos nos ataques, todos ocorridos em uma pequena instalação militar no porto de Shuaiba, no Kuwait, informou a CNN nesta segunda-feira.

Além disso, imagens de satélite mostram danos a um sistema de radar de alerta antecipado de fabricação americana do Catar em Umm Dahal, de acordo com imagens analisadas por Sam Lair, pesquisador associado do Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação.

Imagens do prédio principal que abriga o radar de varredura eletrônica AN/FPS-132, que detecta alvos de longo alcance, mostraram que detritos caíram de uma das faces do radar e que a água utilizada no combate ao incêndio estava presente, segundo Lair. O sistema custou ao governo do Catar pouco mais de US$ 1 bilhão. Não se sabe ao certo a extensão dos danos.

Duas antenas parabólicas de 12 metros de diâmetro para comunicações via satélite foram danificadas em uma instalação da Marinha no Bahrein.

Embora a base possua outros canais de comunicação, a destruição desses sistemas principais reduziria significativamente sua capacidade e velocidade de comunicação, disse à CNN Steffan Watkins, pesquisador que estuda assuntos militares.

"Seria um exagero dizer que eles passaram de alta velocidade para conexão discada, mas essa é a ideia", afirmou Watkins.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.

Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!".