Companhia aérea suspende voos para Rússia após alerta de Zelensky

Medida da Air Tanzania segue aviso ucraniano sobre insegurança do espaço aéreo russo

Mark Trevelyan, da Reuters
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A Air Tanzania informou que suspenderá temporariamente os voos de Dar es Salaam, capital do país, para Moscou a partir desta sexta-feira (4). A empresa aérea é a primeira a tomar essa medida depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou nesta semana que o espaço aéreo sobre a Rússia não era seguro.

A companhia aérea comunicou pelo Facebook que adotou a medida após "uma avaliação de risco de rotina do ambiente operacional ao longo da rota".

Zelensky acrescentou que a Ucrânia teria como alvo apenas instalações militares russas e não representaria uma ameaça para aeronaves civis, mas ressaltou que o crescente número de drones ucranianos no espaço aéreo russo deveria "ser levado em consideração ".

Em uma carta ao presidente da Organização da Aviação Civil Internacional, Juan Carlos Salazar, cuja cópia foi compartilhada exclusivamente com a Reuters, o ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Mykola Kalashnyk, afirmou que Kiev acredita que o risco de tragédias no espaço aéreo deve ser minimizado.

A Ucrânia solicitou à OACI que incentive as autoridades de aviação e as companhias aéreas a salvaguardar a aviação civil, "inclusive facilitando a proibição total, pelos Estados-membros da OACI, das operações de aeronaves civis no espaço aéreo da Federação Russa".

Embora as companhias aéreas europeias e americanas não sobrevoem a Rússia devido à guerra que eclodiu quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, o espaço aéreo é utilizado por companhias aéreas de países como China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e outros estados do Golfo.

A OACI não pode impor regras aos seus 193 países membros, mas suas decisões influenciam as políticas nacionais. A agência da ONU, sediada em Montreal, utiliza o consenso para definir padrões para tudo, desde pistas de pouso e decolagem até cintos de segurança.

Embora não tenha mencionado nenhum país específico, a OACI alertou na quarta-feira (2), em comunicado, que o risco de armas visando aviões comerciais está aumentando e pediu compromissos mais firmes dos países para proteger as aeronaves dos riscos de zonas de conflito.

"A OACI está observando riscos crescentes de aeronaves civis serem alvejadas ou atingidas por fogo cruzado", afirmou o comunicado. "Embora a indústria da aviação seja capaz de redirecionar voos e manter as operações durante conflitos, essa flexibilidade operacional não resolve a ameaça fundamental à segurança."

A empresa de consultoria em riscos da aviação Osprey Flight Solutions afirmou, em uma análise, que os ataques com drones e mísseis da Ucrânia já demonstraram seu alcance em território russo, levando ao fechamento de aeroportos e ao cancelamento de voos.

"Zelensky está expressando publicamente o que a Ucrânia vem fazendo há meses: interrompendo sistematicamente o espaço aéreo russo", disse a Osprey.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os comentários de Zelensky equivalem a "terrorismo de Estado". Moscou prometeu na quarta-feira impedir qualquer interrupção na aviação civil.

Em 2024, 38 pessoas morreram quando um avião da Azerbaijan Airlines, que seguia para Grozny, na Rússia, fez um pouso forçado no Cazaquistão após desviar de sua rota. Putin afirmou posteriormente que dois mísseis russos detonaram perto da aeronave depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo.

A Ucrânia fechou seu espaço aéreo ao tráfego civil quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022, desencadeando bombardeios de mísseis sem emitir avisos às aeronaves civis no espaço aéreo ucraniano.

Os aeroportos permaneceram fechados desde então, e a SkyUp, a única companhia aérea ucraniana ainda em operação, agora funciona a partir da vizinha Moldávia.