Conflito no Iêmen desloca mais de 100 mil pessoas internamente, diz ONU

Milhares de outras fugiram por mar para Djibuti em meio à escalada das batalhas dos Houthis com forças governamentais e da Arábia Saudita

Emma Farge, da Reuters
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A agência da ONU para refugiados informou nesta terça-feira (15) que mais de 100 mil pessoas foram deslocadas internamente devido à escalada do conflito no Iêmen e que milhares de outras fugiram por mar para Djibuti.

“O acesso humanitário continua sendo um grande desafio. A insegurança, as estradas danificadas, as interrupções nas telecomunicações e as restrições de circulação estão afetando as operações”, afirmou o Acnur em comunicado.

Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, intensificaram os ataques a cidades da Arábia Saudita e à infraestrutura energética, ao mesmo tempo em que avançam ao longo da costa iemenita do Mar Vermelho em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima estratégica.

Em resposta à ofensiva, as forças aéreas da Arábia Saudita e do Iêmen bombardearam alvos houthis.

Na província de Taiz, a noroeste de Aden, um acampamento recém-montado começou a receber pessoas que fugiam dos combates.

Mulheres e crianças carregavam água em galões no acampamento, enquanto outras lavavam roupas e se reuniam ao redor das tendas.

O Iêmen, país mais pobre do mundo árabe, está mergulhado em conflito desde que os Houthis tomaram a capital, Sanaa, em 2014, desencadeando uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte, em uma guerra civil que provocou uma das maiores crises humanitárias do mundo.

O grupo rebelde resistiu a anos de intensos bombardeios liderados pelos sauditas durante a guerra civil.

Uma trégua mediada pela ONU em 2022 interrompeu em grande parte os principais combates, mas expirou seis meses depois, com a estagnação dos esforços para transformá-la em um acordo político duradouro.