Conflito no Oriente Médio: brasileira é avisada ao vivo para ir ao bunker
Ao relatar à CNN como funciona o sistema de alarmes em Israel, Carmen Targownik, moradora de Herzliya, cidade próxima a Tel Aviv, foi orientada a buscar abrigo
A escalada do conflito no Oriente Médio interrompeu, ao vivo, o relato de uma brasileira que vive em Israel.
Durante entrevista à CNN sobre a situação no país após o ataque do Irã, Carmen Targownik, moradora de Herzliya, próximo a Tel Aviv, precisou deixar a conversa às pressas ao ser alertada para se dirigir a um bunker.
Enquanto descrevia a rotina sob tensão, Carmen explicou como funciona o sistema de alarmes israelense.
Segundo ela, as sirenes soaram diversas vezes ao longo do dia.
O primeiro aviso ocorreu por volta das 8h30 e orientava os moradores a permanecerem atentos e próximos de um espaço seguro, diante da possibilidade de novos ataques.
De acordo com o relato, há dois tipos de sirene. A primeira funciona como sinal de preparação, indicando que as pessoas devem ficar perto de um abrigo. Nesse momento, os moradores colocam sapatos, separam bolsas com itens essenciais e aguardam novas instruções.
"Eu escutei sirenes várias vezes hoje. Começou umas 08h30 da manhã. Teve a primeira sirene pra falar para todo mundo: 'Gente, fica atenta, hoje tem que ficar próximo do bunker para ficar seguro'. E várias vezes a gente tinha que ir no bunker", explicou à CNN.
Já o segundo alerta, que pode ser ouvido nas ruas e também nos celulares, determina que a população busque proteção imediata.
Carmen detalhou que, em seu prédio, o bunker fica no porão e é compartilhado entre os moradores, reunindo crianças, idosos e demais vizinhos. Ela acrescentou que edifícios mais modernos contam com abrigos individuais em cada apartamento, o que facilita a locomoção, especialmente para quem tem dificuldade de mobilidade.
No decorrer da entrevista, um novo alerta foi acionado. Ao perceber o alarme e o sinal luminoso, Carmen informou que precisaria se preparar para descer ao bunker em poucos minutos e encerrou a participação para buscar abrigo.
"Agora está tendo um alarme, que em alguns minutos eu vou ter que descer", disse ela, interrompendo o relato. "Também tem aqui o apito da luz, então eu vou me aprontar", finalizou.
Detalhes do conflito
Depois que Estados Unidos e Israel deram início às primeiras ofensivas contra o governo iraniano, na manhã de sábado (28), o conflito se intensificou, passou a envolver outros países da região, gerou temores para a economia global e deixou milhares de viajantes retidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (1º) que o confronto com o Irã pode durar cerca de quatro semanas, indicando a previsão do governo americano sobre a campanha militar.
Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel mataram pelo menos 555 pessoas no Irã, incluindo ao menos 165 em uma escola primária feminina, conforme a mídia estatal iraniana.
Explosões foram relatadas em Teerã, e pacientes precisaram ser retirados de um hospital no norte da cidade após o prédio sofrer graves danos. O CENTCOM informou que quatro militares americanos morreram em combate e cinco ficaram gravemente feridos.
As ofensivas também resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fato considerado um ponto de inflexão na história recente do país.
Por que os EUA e Israel atacaram?
Tanto Trump quanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram que seus principais objetivos eram defender seus respectivos países das ameaças representadas pelo Irã e, principalmente, impedir que o regime islâmico adquirisse uma arma nuclear, sem apresentar qualquer evidência de que estivesse mais perto de obtê-la.
A Casa Branca havia declarado anteriormente ter eliminado "totalmente" essa ameaça quando se juntou brevemente à guerra de 12 dias de Israel contra o Irã em junho do ano passado, sendo uma campanha que deixou o regime severamente enfraquecido.
Desde o início do ano, o Irã também vem enfrentando uma crise econômica que desencadeou protestos em todo o país. Enquanto a repressão deixava milhares de manifestantes mortos, Trump prometeu ajudá-los, dizendo que os EUA estavam "prontos para o combate".
Durante semanas, houve uma estranha contradição: ao passo que enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um novo acordo nuclear, o governo Trump acumulava material militar no Oriente Médio.
Embora a última rodada de negociações tenha terminado na quinta-feira (26) com o Irã concordando em "nunca" estocar urânio enriquecido, isso não foi suficiente para evitar uma ação militar dos EUA.
Agências de inteligência israelenses e americanas, incluindo a CIA, vinham monitorando os movimentos de Khamenei há meses, aguardando o momento certo para atacar.


