Conflitos na Síria deixam dezenas de mortos e feridos, diz ministério
Conflitos entre beduínos e drusos teriam iniciado após uma onda de sequestros na sexta-feira (11), na cidade de Sweida

Mais de 30 pessoas foram mortas e 100 ficaram feridas em confrontos armados na cidade de Sweida, na Síria, de maioria drusa, informou o ministério do Interior sírio na manhã desta segunda-feira (14), no mais recente episódio de confrontos sectários (conflitos motivados por diferenças religiosas, étnicas ou ideológicas).
A violência iniciou após uma onda de sequestros, incluindo o de um comerciante druso na sexta-feira (11), na rodovia que liga Damasco a Sweida, segundo testemunhas.
Esta é a primeira vez que conflitos deste tipo acontecem dentro da cidade de Sweida, capital da província de maioria drusa.
Em abril, confrontos entre combatentes sunitas e moradores drusos armados de Jaramana, a sudeste de Damasco, se espalharam para outro distrito próximo à capital provincial.
"Este ciclo de violência explodiu de forma assustadora e, se não acabar, estamos caminhando para um banho de sangue", disse Rayan Marouf, pesquisador druso baseado em Sweida e administrador do site Suwayda24.
Os confrontos envolvendo combatentes tribais beduínos e milícias drusas se concentraram no bairro de Maqwas, a leste de Sweida, habitado por tribos beduínas, cercado por grupos drusos armados e posteriormente tomado.
O ministério do Interior sírio afirmou que suas forças iniciarão uma intervenção direta em Sweida para resolver o conflito, convocando as partes locais na cidade drusa a cooperarem com as forças de segurança.
Homens armados de tribos beduínas também lançaram ataques contra aldeias drusas nos arredores oeste e norte da cidade, segundo moradores.
Uma fonte médica disse à Reuters que pelo menos 15 corpos foram levados para o necrotério do hospital estadual de Sweida. Cerca de 50 pessoas ficaram feridas, algumas delas transportadas para a cidade de Deraa para atendimento médico.
A violência marcou o mais recente episódio de derramamento de sangue sectário na Síria, onde os temores entre grupos minoritários aumentaram desde que rebeldes liderados por islâmicos derrubaram o presidente Bashar al-Assad em dezembro, instalando seu próprio governo e forças de segurança.
Essas preocupações se intensificaram após o assassinato de centenas de alauítas em março, em aparente retaliação a um ataque anterior realizado por apoiadores de Assad.
Foi o maior conflito sectário em anos na Síria, onde uma guerra civil de 14 anos terminou em dezembro passado com a fuga de Assad para a Rússia após seu governo ser derrubado por forças rebeldes.


