Conheça o aplicativo que alerta sobre ações contra imigrantes nos EUA
Mapa exibe presença de agentes num raio de até 8 km dos usuários

Joshua Aaron trabalha na indústria de tecnologia há cerca de duas décadas. Ele criou seu primeiro aplicativo — um jogo de blackjack — em um acampamento de informática aos 13 anos.
Seu aplicativo mais recente foi projetado para um propósito bem diferente: permitir que os usuários alertem pessoas próximas sobre a presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos em sua área.
Aaron lançou a plataforma, chamada ICEBlock, no início de abril após assistir ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançar sua repressão à imigração.
As novas políticas Casa Branca desencadearam protestos massivos nos EUA. Uma pesquisa da CNN em abril mostrou que 52% dos americanos entrevistados disseram que Trump foi longe demais na deportação de imigrantes ilegais.
O ICEBlock conta atualmente com mais de 20.000 usuários, boa parte deles em Los Angeles, onde aconteceram operações controversas de deportação em larga escala.
"Quando vi o que estava acontecendo neste país, quis fazer algo para reagir", disse Aaron à CNN, acrescentando que os esforços de deportação lembram a Alemanha nazista. "Estamos literalmente assistindo à história se repetir."
Usuários recebem alertas em um raio de 8 km
O ICEBlock foi projetado para ser um "sistema de alerta precoce" para usuários quando os agentes de imigração estiver operando nas proximidades, disse Aaron.
Quem usa pode adicionar um marcador no mapa mostrando onde viram os agentes, juntamente com anotações opcionais, como as roupas que os policiais usavam ou o tipo de carro que dirigiam.
Desta forma, outros usuários em um raio de 8 km receberão um alerta instantâneo sobre a proximidade dos agentes.
O criador do aplicativo disse esperar que essas notificações ajudem as pessoas a evitar interações com o ICE, observando que não quer que os usuários interfiram nas operações da agência.
O programa emite um aviso semelhante quando os usuários registram proximidade de agentes: "Estejam cientes de que este aplicativo é apenas para fins informativos e de denúncia. Ele não deve ser usado para incitar violência ou interferir na aplicação da lei."
Dados pessoais
O ICEBlock não coleta dados pessoais e os usuários são completamente anônimos, de acordo com Aaron.
Ele está disponível apenas para iOS porque Aaron afirma que o aplicativo precisaria coletar informações que poderiam colocar os usuários em risco para oferecer a mesma experiência no Android.
Tranquilizar os usuários sobre essas proteções de privacidade será fundamental para o crescimento da base de usuários do ICEBlock, visto que o governo está construindo um banco de dados para auxiliar em seus esforços de deportação.
"Não queremos o ID do dispositivo, o endereço IP ou a localização de ninguém", disse Aaron. "Não queremos nada que possa ser descoberto. Portanto, este é 100% anônimo e gratuito para quem quiser usar."
Medidas preventivas
Embora o ICEBlock não tenha uma maneira infalível de garantir a precisão dos relatos dos usuários, Aaron afirma ter criado salvaguardas para evitar que os usuários inundem a plataforma com alertas falsos.
Os usuários só podem relatar um alerta em um raio de 8 km da sua localização, e só podem relatar uma vez a cada cinco minutos. Os relatos são excluídos automaticamente após quatro horas.
Aaron diz que não planeja monetizar o aplicativo gratuito, mas quer que ele seja um serviço para a comunidade.
O trabalho de Aaron na ICEBlock contrasta com o apoio que alguns líderes do Vale do Silício demonstraram a Trump, chegando a doar e comparecer à sua posse.
Algumas empresas também anunciaram investimentos para expandir sua presença nos EUA, após a pressão do presidente pela produção nacional de tecnologia.
“Acho que eu diria a eles para terem mais coragem. Não pode ser só uma questão de dinheiro”, disse Aaron quando questionado sobre o que diria aos líderes de tecnologia.
“Eu entendo que eles precisam prestar contas aos acionistas. Eu entendo que eles têm funcionários que precisam ser pagos”, acrescentou. “Mas em que momento você diz: 'Chega'?”



