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    Conheça os principais grupos paramilitares russos que disputam lugar do Wagner após morte de Prigozhin

    Rússia contabiliza aproximadamente 30 empresas militares privadas, apesar de serem proibidas, dentre as quais estão Redut, Potok, Convoy e Patriot

    Yevgeny Prigozhin era chefe do Grupo Wagner, uma das equipes paramilitares mais proeminentes da Rússia
    Yevgeny Prigozhin era chefe do Grupo Wagner, uma das equipes paramilitares mais proeminentes da Rússia Wagner/Anadolu Agency via Getty Images

    João Guerreiro Rodriguesda CNN

    Há aproximadamente 30 grupos paramilitares funcionando na Rússia atualmente, apesar de serem oficialmente proibidos. Muitos deles estão dispostos a disputar o espaço do Grupo Wagner após a morte de Yevgeny Prigozhin.

    Cerca de 70% deles foram criados depois de 2014. Alguns têm apenas algumas centenas de membros e cumprem funções de segurança, outros têm dezenas de milhares e atuam como autênticos exércitos, como o próprio Wagner.

    Independente do tamanho, quase todos eles vêm construindo fama a partir de atuações violentas na Rússia e em outras regiões, como na Ucrânia, no Oriente Médio e na África.

    Como a guerra na Ucrânia não chegou ao final rapidamente, da forma como o presidente russo Vladimir Putin planejava, o investimento nesses grupos passou a ser feito com o objetivo de suprir o número de soldados necessários no combate.

    “Agora, aparecem como cogumelos. A guerra é um assunto para profissionais ou voluntários. É um assunto extremamente violento que precisa de gente motivada ou por razões patrióticas ou por motivos econômicos”, afirma o major-general Agostinho Costa.

    Redut ou unidade secreta 35555

    Um desses grupos paramilitares é conhecido pelo nome Redut [ou Reduto, em português] e é, na verdade, uma unidade do serviço secreto russo.

    De acordo com o jornal independente russo Novaya Gazeta, as origens do Redut remontam à intervenção russa na Síria.

    Na ocasião, eles foram usadas para oferecer segurança às instalações da empresa Stroitransgaz, companhia de construção civil criada pela Gazprom, que acabou por ser comprada pelo oligarca russo Gennady Timchenko, antigo amigo de Putin. Acredita-se, inclusive, que o bilionário é um dos grandes patrocinadores do Redut.

    Uma cópia de um contrato destes mercenários, obtida pela RadioFreeEurope/RadioLiberty, liga esses homens a uma unidade oculta dos serviços secretos militares russos que, oficialmente é conhecida pelo nome 35555.

    Pelo menos dois mercenários deste grupo foram julgados e condenados a 11 anos de prisão por crime de guerra na região de Kharkiv, na Ucrânia. Os crimes envolvem tortura de soldados ucranianos por três dias.

    A base do Redut seria em Kubinka, na região de Moscovo, bem próximo do quartel da 45.ª Brigada de Forças Especiais (Spetnaz) Aerotransportadas. Para se alistar, os novos membros devem pelo menos 25 anos e algum tipo de experiência militar.

    O Redut desempenha papel significativo na guerra da Ucrânia e se estabeleceu como um dos principais concorrentes do Grupo Wagner. O serviço secreto ucraniano estima que o grupo tenha, aproximadamente, 7.000 mercenários, sendo também o principal candidato para absorver os milhares de combatentes do Wagner,

    Segundo o Institute for the Study of War (ISW), o Redut já vem sendo pelo governo para tentar absorver as operações do Grupo Wagner na África e no Médio Oriente.

    No início do mês, o Ministério da Defesa russo conseguiu aliciar dois dos principais comandantes do Wagner na Síria para assinarem contrato com o Redut.

    Há ainda diversas sub-unidades paramilitares ligadas ao Redut, que recebem salários por meio de sua estrutura, mas atuam de forma independente.

    É o caso do batalhão de voluntários Don, grupo que atua na região do Donbass e que estão legalmente vinculados ao Ministério da Defesa da Rússia.

    O líder do Don é Aleksandr Borodai, antigo líder separatista do Donbass que se transformou em deputado russo.

    Batalhão Potok

    O Gazprom, gigante estatal da Rússia de gás natural, vem utilizando as empresas estatais do governo para criar grupos paramilitares privados.

    Apesar da empresa não reconhecer oficialmente, uma investigação do Financial Times descobriu as ligações da companhia energética com, pelo menos, dois batalhões, que começaram a ser recrutados em agosto de 2022.

    Um destes grupos é conhecido por batalhão Potok e é composto por antigos profissionais da Gazprom. Ele faz parte de uma rede de unidades militares “semi-independentes” que estão apoiando as ações ofensivas do exército russo.

    Segundo palavras de Prigozhin, existem múltiplas unidades militares de segurança operando sob ordens da Gazprom.

    Segundo informação encontrada em um site de emprego, o Headhunter.ru, estas empresas oferecem salários dez vezes maiores que o salário médio russo. Os valores atingem 700 mil rublos por mês [cerca de R$ 44,6 mil].

    As campanhas de recrutamento também tentam ser criativas. Em março, o Grupo Wagner chegou a publicar ofertas de emprego para mercenários no site pornográfico Pornhub.

    “A utilização de mercenários de empresas privadas na guerra é uma forma de recrutamento camuflado. São parte da estrutura militar russa”, afirma o major-general Agostinho Costa.

    VÍDEO – Rússia confirma morte de Prigozhin em acidente de avião

    Convoy

    Alguns grupos paramilitares também têm estreitas ligações com a liderança política. O Convoy, por exemplo, é projeto pessoal do governador russo da província ocupada da Crimeia, Sergey Aksyonov.

    Apesar de ser um homem de negócios, as ligações dele com crimes lhe valeram o apelido de “goblin”.

    Aksyonov decidiu criar a empresa militar no final de 2022. Pouco se sabe quanto à natureza da organização ou como o grupo está estruturado, mas tem lançado vastas campanhas de recrutamento na península da Crimeia e na região de Kherson.

    Em uma entrevista publicada pelo site iStories, um mercenário do grupo disse receber US$ 2.500 [cerca de R$ 12 mil] mensais e a promessa de receber terras na Crimeira após um ano de contrato.

    Sem conhecimento militar, Aksyonov criou o grupo com ajuda de um dos comandantes mais próximos de Prigozhin, Konstantin Pikalov, o responsável pelas operações do Grupo Wagner na África.

    Isso significa que outros grupos paramilitares podem estar interessados em anexar as operações do Wagner na África.

    Grupo Patriot

    É provável que nenhum grupo paramilitar tenha tantas ligações com a mais alta cúpula política russa como o grupo Patriot.

    Fundada em 2018, acredita-se que o grupo tenha ligações com o ministro da Defesa, Serguei Shoigu, de acordo com as sanções aplicadas pelos Estados Unidos.

    Há boatos que sugerem que o Patriot foi fundado em resposta à crescente popularidade do Grupo Wagner.

    Pelo que se sabe, o grupo Patriot é o mais parecido com as tradicionais empresas de mercenários ocidentais, como a Blackwater, dos EUA.

    Com o lema “morrer com dignidade”, o grupo está divido em dez departamentos, cada um com funções específicas.

    *Publicado por Pedro Jordão, da CNN em São Paulo

    Este conteúdo foi criado originalmente em português (pt).

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