Conselho de Segurança da ONU aprova nova força contra gangues no Haiti

Conflito armado forçou mais de 1,3 milhão de pessoas a deixarem sua casas na capital Porto Príncipe

Reuters
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O Conselho de Segurança das Nações Unidas concordou nesta terça-feira (30) com uma proposta dos EUA para dobrar o tamanho de uma missão de segurança internacional que combate gangues armadas no Haiti, o que gerou críticas a Washington por parte da China e da Rússia.

Gangues armadas tomaram o controle de quase toda a capital do Haiti, Porto Príncipe, em um conflito que forçou cerca de 1,3 milhão de pessoas a deixarem suas casas e agravou a fome.

O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) afirmou no mês passado que as crianças representam cerca de 50% dos membros de gangues no país caribenho.

"Essa expansão dramática da violência de gangues colocou em risco a própria existência do Estado haitiano", disse o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, ao conselho.

Rússia, China e Paquistão se abstiveram na votação da medida proposta pelos Estados Unidos e Panamá.

Os 13 membros restantes do conselho votaram a favor.

 

Desafios da missão internacional

A nova força continuará contando com contribuições voluntárias de pessoal e financiamento, mas agora será liderada por um grupo de representantes dos países que contribuíram com pessoal, além dos EUA e do Canadá.

A força também contará com o apoio de um novo escritório de campo da ONU.

Ainda não está claro como a nova força superará os desafios enfrentados pela atual missão de Apoio à Segurança Multinacional liderada pelo Quênia.

O presidente queniano, William Ruto, declarou em um evento na ONU na semana passada que a missão enfrenta dificuldades com pessoal e logística.

Embora tenha elogiado Washington por sua atuação, afirmou que os veículos fornecidos "eram usados ​​e, portanto, quebraram com frequência". No entanto, afirmou que o Quênia estava pronto para participar da nova missão.

"A votação de hoje é um reconhecimento de que, devido à falta de uma verdadeira partilha de responsabilidades, a comunidade internacional não conseguiu cumprir uma missão adequada ao seu propósito. Faltou-lhe a escala, o escopo e os recursos necessários para combater as gangues e restaurar uma base de segurança no Haiti", disse Waltz.

Rússia e China criticaram os Estados Unidos, acusando-os de não impedir o fluxo ilícito de armas dos EUA para o Haiti e de não fornecer financiamento suficiente para a missão inicial.

As nações disseram que os EUA se apressaram em aprovar uma resolução ambígua em diversas questões cruciais, incluindo as regras de engajamento.

 

Conselho de Segurança da ONU aprova nova força contra gangues no Haiti | CNN Brasil