COP30

COP30: China aproveita vazio dos EUA na transição energética

Ausência dos EUA e avanço chinês ampliam debate sobre o "protecionismo verde" e suas implicações para o comércio global

Da CNN Brasil, Belém
Bandeiras de China e EUA em Xangai
Bandeiras de China e dos Estados Unidos em Xangai  • 16/11/2021 - REUTERS/Aly Song
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Ponto de tensão entre países ricos e em desenvolvimento, a pauta do "protecionismo verde" ficou de fora da agenda oficial da COP30.

Países do chamado Sul Global questionam medidas da União Europeia, como o mecanismo de ajuste de fronteira de carbono, que impõe um preço às emissões associadas a produtos importados, e o regulamento sobre produtos livres de desmatamento, que proíbe a entrada de commodities ligadas à devastação florestal após 2020.

Essas ferramentas, previstas para entrar em vigor em 2026, são vistas como barreiras comerciais disfarçadas de políticas ambientais.

No setor agropecuário, a preocupação é de que as novas regras criem restrições a produtores submetidos a legislações nacionais. Já a indústria alerta que a União Europeia desconsidera vantagens ambientais que países como o Brasil podem oferecer.

O avanço de políticas verdes na Europa, mas também a pressão por padrões de sustentabilidade na economia, prometem fazer do comércio internacional um dos temas mais sensíveis, mas também inevitáveis, ao longo da conferência.

Uma reportagem do jornal americano "The New York Times", desta terça-feira (11), aponta que países emergentes estão se afastando da influência americana e europeia na transição energética e adotando alternativas renováveis impulsionadas pela China.

Após saturar o mercado interno com painéis solares, turbinas eólicas e baterias, empresas chinesas passaram a exportar seus produtos para países em desenvolvimento com grande demanda energética.

Com a ausência do governo americano na conferência, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, do Partido Democrata, criticou o desdém do presidente Donald Trump em relação às tecnologias verdes, em meio ao avanço chinês no setor.

Newsom também elogiou o progresso da China no setor e cobrou um posicionamento das montadoras americanas.

"[...] como americano, respeito e admiro o que a China está fazendo em grande escala no que diz respeito às cadeias de abastecimento e à produção. E é melhor que os Estados Unidos acordem para isso, é melhor que os nossos fabricantes de automóveis acordem para isso", afirmou o governador da Califórnia.

(Com informações de Pedro Teixeira, da CNN Brasil, em Belém)