Coreia do Norte diz que Coreia do Sul e EUA criarão “efeito dominó nuclear”

Washington autorizou Seul a construir submarinos nucleares

Joyce Lee, Jack Kim, Rod Nickel, Ed Davies e Thomas Derpinghaus, da Reuters
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A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira (18) que o plano da Coreia do Sul de construir submarinos nucleares com a aprovação dos Estados Unidos desencadearia um “efeito dominó nuclear”.

Na sexta-feira (14), a Coreia do Sul e os EUA divulgaram conjuntamente os detalhes do acordo firmado pelo presidente Lee Jae-myeung e pelo presidente Donald Trump em sua cúpula no mês passado, que incluía o compromisso de desarmar o arsenal nuclear norte-coreano.

Os americanos também deram sinal verde para a Coreia do Sul construir submarinos de ataque nucleares, um objetivo que Seul tinha há tempos.

O acordo revelou as “verdadeiras cores da vontade de confronto dos EUA e da Coreia do Sul de manterem uma postura hostil em relação à Coreia do Norte”, afirmou a agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira, usando as siglas para Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Essa promessa e uma série de exercícios militares conjuntos em larga escala realizados pelos dois países representam graves desafios à segurança da Coreia do Norte e agravam as tensões regionais, acrescentou a agência.

A KCNA acusou Seul de promover secretamente uma “ambição acalentada há muito tempo de possuir armas nucleares”, o que certamente desencadeará um “efeito dominó nuclear” na região e provocará uma corrida armamentista.

O primeiro-ministro sul-coreano, Lee, afirmou que os submarinos são cruciais para manter a prontidão contra as forças navais da China e a ameaça potencialmente grave representada pelo esforço da Coreia do Norte, que possui armas nucleares, para desenvolver seus próprios submarinos nucleares.

A porta-voz do gabinete presidencial sul-coreano, Kang Yu-jung, afirmou nesta terça-feira (18) que Seul não tem intenções hostis ou de confronto contra a Coreia do Norte e que a cooperação com os Estados Unidos visa proteger seus interesses de segurança nacional.

Hong Min, especialista em Coreia do Norte do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, em Seul, disse que o comentário demonstra que a Coreia do Norte continua relutante em dialogar com Washington enquanto os EUA não a reconhecerem como um Estado nuclear.

Trump afirmou estar pronto para se encontrar com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Os dois se encontraram três vezes durante o primeiro mandato do presidente americano, buscando um acordo nuclear, mas não chegaram a um consenso.