Coreia do Norte lança maior navio de guerra e acelera expansão naval

Destróier de 5 mil toneladas entra em serviço em cerimônia com Kim Jong Un, enquanto analistas apontam avanço militar e possíveis ajudas externas

Brad Lendon e Yoonjung Seo, da CNN
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A Coreia do Norte colocou em operação na terça-feira (23) seu maior navio de guerra já construído, um destróier de 5 mil toneladas que, segundo analistas militares, pode dar aos adversários de Pyongyang mais um elemento de atenção em situações de crise.

Em discurso no estaleiro de Nampho, na costa oeste do país, o líder Kim Jong Un afirmou que a incorporação representa um novo capítulo na história militar norte-coreana, declarando que a marinha “pôs fim a mais de 70 anos de estagnação”.

“Em termos de equipamento militar, a marinha era a mais fraca de todos os ramos de nossas forças armadas. Agora as coisas mudaram claramente”, disse Kim, segundo a agência estatal KCNA.

“A capacidade de combate da nossa marinha crescerá de forma admirável, além da imaginação.”

A frota naval norte-coreana há muito é ofuscada pelas forças da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que operam navios modernos e submarinos com eletrônica avançada e poderosos sistemas de mísseis.

O destróier incorporado nesta terça-feira, o Choe Hyon, deve ter capacidade de lançar mísseis antinavio e de ataque terrestre, embora isso ainda não tenha sido confirmado, disseram analistas.

O novo navio representa um avanço em relação ao modelo naval tradicional do país, baseado em “forças costeiras assimétricas, como submarinos, embarcações rápidas de ataque, artilharia costeira, minas e infiltração de forças especiais”, disse Yu Ji-hoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa.

“A marinha norte-coreana está se afastando de uma estrutura centrada na defesa costeira para ampliar sua ameaça nuclear e de mísseis ao domínio marítimo”, afirmou.

Kim disse ainda que o Choe Hyon será o primeiro de uma frota moderna, com embarcações ainda maiores previstas.

Ele reconheceu dificuldades no processo, afirmando que a expansão naval “não é nada tranquila”, possivelmente em referência ao navio-irmão Kang Kon, que virou durante o lançamento em maio de 2025.

O Kang Kon foi reflutuado e voltou a operar cerca de um mês depois, iniciando testes no mar neste mês. Kim disse que ele também será incorporado “em breve”.

O líder pediu que estaleiros norte-coreanos produzam dois novos navios de superfície por ano, incluindo cruzadores com o dobro do tamanho do Choe Hyon.

Embora Kim afirme que o navio foi produzido inteiramente no país, o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Ewha, em Seul, disse que o ritmo da construção pode indicar apoio externo.

“A velocidade e a escala pretendida da expansão naval de Kim Jong Un sugerem que a Coreia do Norte pode estar recebendo assistência significativa de material e tecnologia da Rússia”, afirmou.

Ainda assim, analistas dizem que o país ainda está longe de alcançar a Coreia do Sul e os Estados Unidos, que juntos operam dezenas de destróieres com sistemas avançados de mísseis e combate.

“Não acho que o Choe Hyon represente diretamente uma nova ameaça à Coreia do Sul”, disse Carl Schuster, ex-diretor do Centro Conjunto de Inteligência do Comando do Pacífico dos EUA.

“A sobrevivência do navio seria limitada em um conflito”, afirmou.

Mas ele destacou que o navio precisa ser considerado no planejamento militar.

“Os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul podem ser forçados a ampliar o monitoramento da marinha norte-coreana”, disse.

O fato de ser o primeiro navio oceânico de 5.000 toneladas do país também adiciona complexidade à aplicação de sanções da ONU.

Por exemplo, uma “escolta de um navio de guerra em uma remessa marítima de armas complica uma operação de interceptação e abordagem”, afirmou Schuster.

Yu também afirmou que Seul não pode ignorar a nova embarcação.

“Mesmo que não seja um destróier totalmente moderno, ainda pode representar um peso real para a segurança sul-coreana se for usado como plataforma de lançamento de mísseis ou para escalar crises”, disse.