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    Coronavírus se espalha nos EUA e deixa 6,6 milhões de desempregados em 1 semana

    Das gigantes americanas até os pequenos empresários, todos são impactados pela COVID-19

    A sempre cheia Manhattan agora está vazia em meio à pandemia do novo coronavírus
    A sempre cheia Manhattan agora está vazia em meio à pandemia do novo coronavírus Foto: Luiza Duarte/CNN

    Núria Saldanha da CNN, em Washington

    Com uma velocidade impressionante, o novo coronavírus se espalhou por todos os cantos dos Estados Unidos e colocou a população em confinamento. O vírus é tão contagioso que, em pouco tempo, atingiu em cheio um órgão vital da maior economia mundo: o mercado de trabalho.
     
    Em uma única semana, 6,6 milhões de pessoas entraram com pedido do seguro desemprego no país. Os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho chocam até mesmo aqueles acostumados a lidar com o vai e vem da economia global.

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    “O governo Trump, a força dele antes da crise residia no fato de que a economia americana era uma economia de pleno emprego, com a bolsa batendo recorde, e uma situação muito favorável para a classe média e para boa parte dos americanos. O coronavírus mudou completamente esse cenário”, disse Roberto Simon, diretor-sênior de políticas públicas do Conselho das Américas. 

    Das gigantes americanas até os pequenos empresários, todos são impactados pelo coronavírus. A fabricante de aviões Boeing anunciou nesta quinta-feira (2) um plano de demissões voluntárias. Grandes redes varejistas colocaram mais de 500 mil funcionários em licença não remunerada. Sem poder abrir as portas e sem clientes, empresas são obrigadas a demitir.
     
    A empresária brasileira Aline Comenale conta que se preparava para expandir os negócios em San Diego, na Califórnia, até ser atingida pela crise. “A economia estava indo muito bem, eu estava para abrir a minha terceira loja, inclusive. Estava contratando funcionários e, de uma semana para a outra, tivemos que demitir todos. Foi muito triste.”
     
    Nos Estados Unidos não há um sistema de saúde pública. Tratamentos, remédios e hospitalização registram os preços mais caros do mundo. Só para se ter uma ideia, uma internação hospitalar pode custar, em média, US$ 2.500 por dia. Os empregadores são responsáveis por 50% dos planos de saúde de quem vive lá. Em meio a uma das maiores pandemias da história, as pessoas estão ficando sem emprego e sem seguro médico.
     
    “Neste caso eu vou perder meu seguro saúde daqui um mês e eu vou ter que encontrar uma outra maneira de pagar entre US$ 800 e US$ 1.000 por mês durante o coronavirus”, disse o designer desempregado Daniel Perlin, que vive em Los Angeles. 
     
    Para seguir em frente, empresas e indivíduos buscam ajuda do governo. Mas é preciso persistência: as linhas telefônicas e os sites estão sobrecarregados, e a burocracia atrasa o pagamento a quem tem direito. Mesmo aqueles que conseguem solicitar os benefícios vão ter de esperar de 3 semanas a 5 meses para receber.

    Aprovado pelo congresso e pelo presidente Donald Trump, o plano de resgate econômico de mais de US$ 2,2 trilhões contempla empréstimos a juro zero para empresas e uma espécie de “coronavaucher” americano de US$ 1.200 por pessoa. Também prevê seguro desemprego de US$ 600 por semana por quatro meses. Até lá, Aline espera que o pesadelo do coronavírus tenha terminado.
     
    “Cada dia a gente está sobrevivendo, né? Quero ser esperançosa de acreditar que em pouco tempo a gente vai poder voltar ao normal”, disse a empresária.