Covid deixou Trump em condição crítica e médicos cogitaram respirador, diz fonte

Pessoas próximas contam detalhes sobre a internação de Trump por Covid-19, em outubro de 2020. Na época, equipe médica evitou divulgar detalhes do tratamento

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca Foto: Carlos Barria - 05.nov.2020 / Reuters

Por Kaitlan Collins e Jim Acosta, da CNN

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A condição do ex-presidente Donald Trump após contrair Covid-19, em outubro do ano passado, tornou-se tão preocupante que, em certo momento, se falava em colocá-lo em um respirador, de acordo com o que o próprio ex-presidente disse a uma pessoa na época.

O detalhe levanta questões sobre se a condição de Trump era pior do que as autoridades estavam dispostas a reconhecer publicamente, um fato relatado pela primeira vez em detalhes pelo The New York Times na quinta-feira.

A CNN noticiou em outubro que, quando Trump foi levado de avião para o Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, ele não apenas teve problemas para respirar, mas também recebeu oxigênio suplementar.

 

Trump “definitivamente recebeu oxigênio”, disse uma fonte com conhecimento do assunto à CNN.

O médico do ex-presidente, Dr. Sean Conley, comentou o caso na época, dizendo que Trump “não estava tomando oxigênio no momento”. Quando lhe perguntaram se o republicano havia recebido o insumo, Conley não respondeu diretamente, dizendo: “ele não precisou de nenhum nesta manhã, hoje mesmo.”

“Ontem e hoje, ele não estava tomando oxigênio”, comentou na época.

O New York Times também relatou que Trump tinha infiltrados pulmonares, condição que ocorre quando os pulmões estão inflamados e contêm substâncias como fluido ou bactérias.

Essa condição, especialmente quando um paciente apresenta outros sintomas, pode ser um sinal de caso agudo da doença. O problema pode ser facilmente identificado em um raio-X, quando partes dos pulmões parecem opacas ou brancas.

O jornal acrescentou que o nível de oxigênio de Trump caiu para cerca de 80. Conley foi repetidamente evasivo com os repórteres sobre a condição do paciente e se estava recebendo oxigênio, apenas dizendo aos repórteres, depois que da respiração do republicano melhorar, que os níveis nunca estiveram “abaixo dos 80”.

Reitor da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, o Dr. Ashish Jha, reitor da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, disse que o fato de Conley não divulgar os fatos foi perturbador.

“É perturbador porque eu senti que o Dr. Conley naquele momento estava sendo evasivo e enganador”, disse Jha ao Wolf Blitzer da CNN na quinta-feira.

“Teria sido muito melhor se o Dr. Conley e a Casa Branca tivessem sido transparentes e abertos com o povo americano, em oposição às coisas que ouvimos deles. Isso, é claro, foi muito decepcionante. É tudo muito angustiante “, disse Jha.

Mark Meadows, que era o chefe de gabinete de Trump na Casa Branca, reuniu repórteres após um boletim médico otimista entregue por Conley e disse-lhes em particular: “os sinais vitais do presidente nas últimas 24 horas foram muito preocupantes e as próximas 48 horas serão críticas em termos de seus cuidados. Ainda não estamos em um caminho claro para uma recuperação completa.”

Quanto à condição da ex-primeira-dama, uma fonte familiarizado com o tratamento de Melania Trump disse que ela nunca fez a terapia de anticorpos Regeneron, então experimental, usada para tratar seu marido.

Essa pessoa disse que levou “muito, muito tempo” para ela melhorar, mas que Melania insistiu em deixar o vírus seguir seu curso e tratou seus sintomas com medicamentos holísticos, como chás de ervas, e não tomou nada mais forte do que analgésicos.

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