COP30

Crise climática afeta mais mulheres e crianças, afirma C40

Caterina Sarfatti diz que políticas climáticas podem gerar consequências não intencionais se não forem desenhadas com participação social

Vinícius Murad, da CNN Brasil, Belém
Caterina Sarfatti, diretora do C40 para Transição Justa  • Reprodução/CNN
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A diretora do C40 para Transição Justa, Caterina Sarfatti, afirmou que enfrentar a crise climática exige “uma transição justa e ordenada” e que esse processo já está em curso. Segundo ela, a transição verde “é imparável”, mas só funciona se incluir quem mais sente os impactos.

Sarfatti disse que mulheres, crianças e pessoas de baixa renda são desproporcionalmente afetadas pelos efeitos da crise. “O impacto da crise climática é muito mais sentido pelas pessoas com renda, pelas mulheres, pelas crianças, pelas pessoas que são mais vulneráveis por conta das discriminações”, afirmou.

Ela já havia defendido em entrevista recente que desigualdades sociais — e não fatores biológicos — aumentam a vulnerabilidade feminina.

A diretora ressaltou que exemplos de transição justa já estão acontecendo nas cidades, onde prefeitos implementam ações diretas. “Os exemplos reais e tangíveis […] estão nas ruas de nossas cidades”, disse. Segundo ela, cidades reduzem emissões per capita “cinco vezes mais rápido do que as médias globais”, o que exige que “famílias e pessoas da classe trabalhadora se vejam na transição”.

 

Sarfatti afirmou que políticas climáticas podem gerar consequências não intencionais se não forem desenhadas com participação social. Ela disse que o desafio é garantir que mulheres e grupos vulneráveis tenham acesso a benefícios como ar limpo, empregos de qualidade, saúde e moradia.

Ao citar iniciativas, mencionou que em Los Angeles a prefeitura tem fechado poços de petróleo “com os trabalhadores” e ampliado ações de eficiência energética e habitação social — medidas que, segundo ela, só funcionam quando envolvem diretamente as comunidades mais afetadas.

Sarfatti também comentou a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da COP30, quando ele afirmou que esta seria “a COP da verdade”. “É a verdade que nós temos que contar”, disse, ao defender que prefeitos têm mostrado “como evitar essas consequências não intencionais” e construir apoio público para políticas climáticas mais fortes.