Cuba critica ameaças "perigosas" dos EUA de ação militar contra a ilha

Ministro de Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, disse que era hipócrita e cínico os EUA "insinuarem uma ação militar" para "libertar" Cuba

Dave Sherwood, da Reuters, em Havana
Compartilhar matéria

Autoridades de Cuba criticaram uma série crescente de declarações e ameaças dos EUA de ação militar contra a ilha caribenha, que foram classificadas como perigosas e crime internacional, juntamente com o bloqueio contínuo de petróleo, que restringiu enormemente os carregamentos de combustível em meio a uma crise energética devastadora.

Em uma publicação nas redes sociais, o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, disse que era hipócrita e cínico os EUA "insinuarem uma ação militar" para "libertar" Cuba, e citou décadas de sanções dos EUA contra o governo da ilha como a causa principal de seus problemas econômicos e sociais.

"A ameaça de um ataque militar e a agressão em si são crimes internacionais", disse Rodríguez.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres na terça-feira que o status quo em Cuba era inaceitável, acrescentando que os EUA iriam resolver o problema, embora não tenha fornecido um cronograma.

As declarações de Rubio foram acompanhadas por uma postagem nas redes sociais mostrando o chefe de missão da embaixada dos EUA em Havana, Mike Hammer, caminhando ao lado de Rubio e do general Frank Donovan, do Comando Sul dos EUA, que supervisiona as operações dos EUA na região do Caribe.

Outra foto postada na terça-feira pelas forças militares dos EUA mostrava Rubio apertando as mãos de Donovan em pé diante de um mapa de Cuba.

O governo Trump aumentou consideravelmente a pressão sobre Cuba este ano, interrompendo as remessas de petróleo da Venezuela – há muito tempo o principal fornecedor de Cuba – e ameaçando impor sanções a qualquer país que forneça petróleo a Cuba.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que permitiria que um único navio petroleiro russo entregasse combustível à ilha por "razões humanitárias", embora isso representasse apenas uma fração das necessidades da ilha durante quatro meses.

Havana mergulhou novamente em uma rotina de apagões regulares de horas a fio nesta semana, quando o petróleo russo ficou escasso, deixando muitos residentes ansiosos antes de um longo e quente verão caribenho.

Trump apareceu em um evento privado no sábado, brincando que os EUA poderiam estacionar um porta-aviões ao largo de Cuba para forçar a rendição da ilha.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, chamou os comentários de "uma escalada perigosa e sem precedentes".

"Nenhum agressor, por mais forte que seja, será recebido com rendição em Cuba", disse ele.