Cuba vê maior risco de agressão militar dos EUA com impasse em negociações

Vice-ministra das Relações Exteriores cubana, Josefina Vidal, disse que Washington fabrica pretextos para retratar Havana como uma ameaça à segurança nacional

Ayose Naranjo, da Reuters, em Havana
Compartilhar matéria

A vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal, disse, nesta quinta-feira (28), que o risco de uma agressão militar dos EUA contra a ilha está aumentando devido ao impasse nas negociações entre os países.

Em um discurso proferido em uma audiência legislativa no Capitólio cubano para denunciar as sanções americanas às importações de petróleo, Vidal acusou Washington de fabricar pretextos para retratar Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, a fim de justificar a agressão.

"A cada dia aumenta o perigo de uma agressão militar contra Cuba", disse ela.

Sob a presidência de Donald Trump, os EUA impuseram efetivamente um bloqueio a Cuba, ameaçando com sanções os países que lhe fornecem combustível, provocando cortes de energia e agravando a pior crise em décadas.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse na quarta-feira (27) que estava confiante de que o diálogo entre as nações, iniciado por volta de março, teria "um bom resultado".

As autoridades cubanas afirmaram que não permitirão interferência em assuntos internos e criticaram os EUA pela falta de boa-fé.

"Um canal de comunicação entre os dois governos permanece aberto, mas não houve muito progresso. Temos motivos para duvidar da seriedade e da responsabilidade do governo dos Estados Unidos", disse Vidal.

Na mais recente escalada da campanha de pressão de Trump contra o governo comunista de Cuba, os EUA acusaram formalmente o ex-presidente Raúl Castro de quatro homicídios pelo abate, em 1996, de aeronaves civis operadas por exilados baseados em Miami.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, alertou que qualquer ação militar levaria a um "banho de sangue" no qual milhares de cubanos e americanos morreriam.