Cúpula do Clima: Veja discursos de Biden, Bolsonaro, Xi Jinping e outros líderes

Evento para discutir estratégias de combate às mudanças climáticas é organizado pelo governo dos Estados Unidos

Weslley Galzo e Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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A Cúpula do Clima foi aberta nesta quinta-feira (22), em evento organizado pelo governo dos Estados Unidos. O anfitrião é o presidente Joe Biden, que faz a coordenação do evento. O discurso de abertura ficou sob a responsabilidade da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris.

Pelo Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou e prometeu que o país terá neutralidade climática até 2050. “Determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior. Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030”.

Na abertura, Biden prometeu reduzir as emissões de gases do efeito estufa dos EUA em 50%, em relação aos níveis de 2005, até 2030 e afirmou que os próximos anos farão parte de uma ‘década decisiva’ para o combate às mudanças climáticas. A medida foi antecipada pela CNN.

Além de Biden e Bolsonaro, outros líderes discursaram ao longo do dia.

Veja abaixo os principais discursos:

Jair Bolsonaro (Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro discursou no evento e afirmou que o Brasil terá sua neutralidade climática até 2050.

“Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior. Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”.

Kamala Harris e Joe Biden (EUA)

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, foi a primeira a discursar no evento. Ela trouxe a mensagem de que é possível alinhar o desenvolvimento econômico e a geração de emprego com a adoção de políticas de transferência das fontes de energia para bases produtivas limpas e renováveis na produção industrial. 

A política foi seguida pelo presidente Joe Biden, que garantiu a redução das emissões de gás carbono em 50% nos Estados Unidos até o final da década. Segundo Biden, a medida “coloca o país em um projeto de zero emissão até 2050”.

“A força das nossas economias depende disso. Os países que tomarem a iniciativa agora serão aqueles que terão os benefícios da energia limpa”, afirmou Biden. Os mandatários norte-americanos frisaram o remanejamento da matriz energética para fontes limpas e renováveis como o principal mecanismo para criar empregos nesta década.

António Guterres (ONU)

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que o mundo precisa retornar aos níveis de emissões de gás carbono registrados no ano de 2005 para alcançar a subsistência. “Nós precisamos de um planeta verde, mas estamos em alerta vermelho, à beira do abismo. Precisamos agir”, afirmou.

“Precisamos diminuir as emissões de gás para os níveis de 2005. E precisamos nos assegurar de que o próximo passo esteja na direção correta. Líderes em todo mundo devem agir, primeiro fazendo uma coalizão por emissão líquida zero”, disse.

Bolsonaro acompanha a fala de Biden na Cúpula de Líderes sobre o Clima
O presidente Jair Bolsonaro acompanha a fala do líder dos EUA, Joe Biden, na Cúpula de Líderes sobre o Clima
Foto: Marcos Corrêa – 22.abr.2021/PR

 

O líder independente também elencou uma série de medidas socioeconômicas que precisam ser adotas para atingir as mudanças necessárias e promover a integração das comunidades na transferência para o modo de produção com energia limpa.

Segundo Guterres, as nações precisam frear o financiamento às indústrias produtoras de carvão para começar a investir em infraestrutura verde.

Para o secretário-geral da ONU, a política de taxação sobre emissão de carbono deve ser adotada em todos os países, em linha com o projeto de coalizão global idealizado pela organização para zerar as emissões líquidas.

As Nações Unidas defendem que bancos privados atuem ao lado dos governos como investidores em projetos de inovação que levem à transferência para bases de energia limpa e renovável.

Xi Jinping (China)

Em seu discurso na cúpula do clima, o presidente da China, Xi Jinping, destacou que o país pretende trabalhar em conjunto com os Estados Unidos para mitigar as emissões de carbono e que até 2060 a China vai passar do “pico do carbono para carbono zero”.

“A China está ansiosa para trabalhar com os Estados Unidos para melhorar a governança global. Nós lutamos por uma sociedade mais equilibrada e priorizamos o meio ambiente, queremos atingir nossas metas climáticas antes de 2030 e a neutralidade na emissão de carbono antes de 2060. Queremos sair do pico do carbono para carbono zero em tempo mais curto que outros países desenvolvidos,” disse o líder chinês, que sinalizou restringir comércio com países que não cumprirem suas metas climáticas.

Emmanuel Macron (França)

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o mundo precisa incluir o meio ambiente nos custos de investimento e comércio e que sem isso não poderia haver transição para uma economia mais verde.

“Agir em prol do clima significa [criar] regulamentações e regulamentações em nível internacional. Se não definirmos um preço para o carbono, não haverá transição”, disse Macron.

Ele também afirmou que todas as nações precisam “agir mais rapidamente” em seus compromissos climáticos e que “2030 é o novo 2050”.

“Há apenas um objetivo para as próximas semanas e meses: avançar mais rapidamente”, disse. “Precisamos agir mais rapidamente para implementar os compromissos para 2030. Um plano de ação que seja claro, mensurável e verificável. Basicamente, 2030 é o novo 2050 ”, acrescentou.

Vladimir Putin (Rússia)

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que seu país Rússia pode propor a introdução de termos e condições preferenciais para investimento estrangeiro em projetos de energia limpa.

Em seu discurso, Putin também disse que a Rússia pretende aumentar a quantidade de energia de fontes de baixo carbono, incluindo a energia nuclear.

Boris Johnson (Reino Unido)

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que seu país definiu como objetivo cortar as emissões de carbono em 78% até 2035, no que ele considerou a meta mais ambiciosa de mudança climática do mundo – e que colocaria o país no caminho para zerar suas emissões.

O novo cronograma, que antecipa em quase 15 anos a meta anterior do Reino Unido, exigirá uma reestruturação fundamental na maneira como o país abastece suas casas, carros e fábricas, assim como na forma de alimentar seu povo e o que faz para se livrar do dióxido de carbono.

Johnson também saudou o compromisso de Biden de reduzir as emissões dos EUA, o que considerou ser um “divisor de águas”.

“Estou realmente emocionado com o anúncio divisor de águas que Joe Biden fez”, disse Johnson, elogiando o presidente norte-americano “por devolver os Estados Unidos à linha de frente da luta contra a mudança climática.”

“É vital para todos nós mostrarmos que não se trata apenas de uma promessa cara e politicamente correta”, disse Johnson. “Trata-se de crescimento e empregos.”

Alberto Fernández (Argentina)

A Argentina vai aumentar o uso de energias renováveis, disse o presidente Alberto Fernandez nesta quinta-feira (22).

“Estamos comprometidos em desenvolver 30% da matriz energética nacional com energias renováveis. Projetamos um plano de medidas de eficiência para a indústria, transporte e construção”, disse o líder argentino.

Desde 2015, a Argentina alcançou grande progresso em capacidade renovável, principalmente com o uso de energia eólica. Fernandez também confirmou que a Argentina renovará seu compromisso com o Acordo de Paris, por meio do qual promoverá tecnologias para reduzir as emissões de metano.

“Na Argentina, honramos o Acordo de Paris aumentando a ambição climática. Instruí nosso Gabinete Nacional de Mudanças Climáticas a preparar o Plano Nacional de Adaptação e Mitigação a ser apresentado na COP26 em Glasgow”, destacou.

Angela Merkel (Alemanha)

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, celebrou a volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris – uma medida que Biden reverteu após seu antecessor, Donald Trump, deixar o pacto.

“Estou muito feliz que os EUA tenham voltado a participar da política clínica, pois é totalmente indiscutível que o mundo precisa da participação dos EUA para que o Acordo de Paris seja cumprido”, disse a chanceler alemã. “A contribuição nacional dos EUA mostra sua ambição e é um sinal muito importante para a comunidade global.”

Ela afirmou que as transformações necessárias para conter as mudanças climáticas são uma “tarefa hercúlea”, já que exigem a transformação do modo de viver e conduzir as economias globais.

“E este é agora o desafio de todos os países com grandes emissões, especialmente as nações industrializadas”, apontou.

“Acima de tudo, precisamos de solidariedade com os países em desenvolvimento. Os países iniciantes se comprometeram a contribuir com 100 bilhões anuais para o financiamento da política climática até 2020. E isso agora será estendido até pelo menos 2025. Na Alemanha, dobramos nossos gastos climáticos de 2020 para 4 bilhões de euros anualmente e no próximo ano também faremos nossa parte.”

Yoshihide Suga (Japão)

O Japão elevou sua meta de corte de emissões para 46% até 2030, respondendo à diplomacia dos EUA e a empresas e ambientalistas nacionais, que queriam metas ainda maiores – o valor anterior de redução, de 26%, era considerado pouco ambicioso.

O primeiro-ministro Yoshihide Suga anunciou a nova meta, em comparação com os níveis de emissões de 2013, horas antes de seu discurso no encontro de líderes.

O Japão, o quinto maior emissor de carbono do mundo, estava sob pressão do governo Biden para definir uma meta de 50%, disseram fontes familiarizadas com as discussões realizadas antes e durante uma visita de Suga a Washington no fim de semana.

Suga disse que atingir a nova meta não seria fácil, mas que instruiria os ministros a acelerar os planos. “Continuaremos tentando um corte ainda maior do que 50%”, acrescentou.

Justin Trudeau (Canadá)

Outro país com novas metas é o Canadá, que traçou como objetivo reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 40% e 45% em relação aos níveis de 2005 até 2030 – acima da meta atual de 30%.

“Vamos fortalecer continuamente nosso plano e tomar ainda mais ações em nossa jornada para zerar nossas emissões até 2050”, disse o primeiro-ministro Justin Trudeau, na reunião.

O Canadá, que tem um importante setor de energia, é um dos piores poluidores per capita do mundo e, até agora, não cumpriu com todas as suas metas de mudança climática.

Narendra Modi (Índia)

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que é preciso enfatizar uma mudança de estilo de vida nas ações de combate às mudanças climáticas.

“Estilos de vida sustentáveis e filosofia orientadora, de volta ao básico, devem ser um pilar importante de nossa estratégia econômica para a era pós-Covid”, afirmou Modi.

“Amigos da humanidade, para combater as mudanças climáticas, é necessária uma ação concreta. Precisamos de sugestões em alta velocidade, em larga escala e de alcance global”, continuou.

“O presidente Biden e eu estamos lançando a Parceria Índia-EUA para o Clima e Energia Verde 2030. Juntos, ajudaremos a mobilizar investimentos demonstrando tecnologia verde e possibilitando colaborações verdes.”

Ursula von der Leyen (Comissão Europeia)

Quem também discursou foi a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “A ciência diz que é quase tarde demais, mas devemos começar agora. Ontem, com o Parlamento Europeu e com 27 governo, definimos novas metas para que sejamos neutro em carbono até 2050 e também concordamos em reduzir as emissões em pelo menos 25% até 2030”, afirmou.

“A natureza não pode mais pagar o preço. Mas a questão não é só sobre missões. Precisamos pensar em biodiversidades e em soluções onde forem precisas – e vamos fazer isso de maneira justa e bem-sucedida porque não podemos deixar ninguém para trás. Vamos trabalhos juntos pela neutralidade, por um compromisso junto e por ações juntas para reduzir as emissões até 2030. Isso nos coloca no caminho para a emissão zero até 2050”.

(Com informações da Reuters e da CNN)

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