De olho em China e Coreia do Norte, Biden realizará sua primeira viagem à Ásia

Presidente americano visitará Coreia do Sul e Japão no fim de maio

Presidente dos EUA, Joe Biden
Presidente dos EUA, Joe Biden 21/04/2022REUTERS/Jonathan Ernst

Kevin LiptakMJ Leeda CNN

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Joe Biden fará sua primeira viagem à Ásia como presidente dos Estados Unidos no próximo mês, visitando a Coreia do Sul e o Japão de 20 a 24 de maio, disseram funcionários da Casa Branca à CNN, ressaltando seu compromisso com a região, mesmo com a atenção internacional voltada para o crise na Ucrânia .

Biden, disseram as autoridades, realizará reuniões bilaterais em cada país: com o novo presidente coreano Yoon Suk Yeol, que deve ser empossado em 10 de maio, e o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida.

Em Tóquio, Biden também se reunirá com os líderes do Japão, Austrália e Índia, em um encontro da parceria Quad que foi revitalizada por sua iniciativa.

A viagem visa “aprofundar ainda mais os laços entre nossos governos, economias e pessoas”, disse a secretária de imprensa Jen Psaki em comunicado. “Esta viagem avançará o compromisso sólido da administração Biden-Harris com um Indo-Pacífico livre com alianças de tratados dos EUA com a República da Coréia e o Japão”.

Próximo à viagem, está prevista uma série de testes de armas pela Coreia do Norte, que preocupa as autoridades norte-americanas e demonstra as contínuas ameaças do regime.

O ditador do país, Kim Jong Un, prometeu durante um enorme desfile militar nesta semana “fortalecer e desenvolver” suas forças nucleares na velocidade “mais alta possível”, oferecendo um vislumbre de suas ambições para os próximos meses.

A viagem de quatro dias à Ásia ocorre em um momento crítico na presidência de Biden, enquanto busca manter os EUA e seus aliados unidos contra a invasão russa da Ucrânia em meio a crescentes baixas civis e intensificação dos combates.

O conflito tem sido uma questão desgastante do segundo ano do presidente no cargo, com o país comprometendo bilhões de dólares em ajuda à Ucrânia e atingindo a Rússia com uma série de sanções econômicas.

Em meio aos ataques russos, Biden enfatizou que acredita que as alianças dos EUA no Indo-Pacífico são fundamentais para defender uma “ordem baseada em regras” em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, o conflito destacou as ameaças contínuas representadas por inimigos históricos como a Rússia, enquanto Biden trabalha para recalibrar a política externa americana em relação à Ásia em uma tentativa de combater a crescente influência da China.

Assessores da Casa Branca insistem que podem se concentrar na Ásia ao mesmo tempo em que o mundo é consumido pela crise na Ucrânia. E as autoridades dizem que ficaram positivamente surpresas com a disposição dos aliados dos EUA na Ásia, incluindo Japão e Coreia do Sul, em aderir a um regime de sanções contra a Rússia. Os dois países  também desviaram alguns de seus suprimentos de gás natural para a Europa, que trabalham para se livrar das importações de energia russas.

Biden conversou com Yoon, um ex-promotor conservador, por telefone no mês passado, depois que ele venceu as eleições sul-coreanas. Segundo a Casa Branca, os dois discutiram, entre outras coisas, as ameaças representadas pelo programa nuclear da Coreia do Norte e outras questões globais como a Covid-19 e as mudanças climáticas.

A Coreia do Norte, que Biden identifica como seu maior desafio de política externa no início de sua presidência, retomou testes provocativos de armas antes da posse de Yoon.

O governo Biden tentou reiniciar a diplomacia com Pyongyang, mas recebeu pouca resposta. Enquanto isso, Yoon prometeu endurecer a linha da Coreia do Sul contra o Norte depois de tentativas do governo anterior de cultivar a diplomacia – incluindo ajudar o então presidente Donald Trump a organizar uma série de cúpulas com Kim.

Durante a última visita de Trump a Seul como presidente, ele fez um desvio para a zona desmilitarizada, onde apertou a mão de Kim Jong Un e ultrapassou a linha de demarcação da Coreia do Norte.

Biden já teve várias interações com o japonês Kishida este ano depois que o primeiro-ministro assumiu o cargo no ano passado. Ambos os líderes participaram de cúpulas de emergência na Bélgica, em março, convocadas em meio aos ataques da Rússia na Ucrânia.

A visita de Biden à Coreia do Sul e ao Japão também ocorre enquanto as autoridades dos EUA observam cuidadosamente as ações da China relacionadas à guerra na Ucrânia. O governo Biden enfatizou repetidamente que Pequim enfrentaria graves consequências se ajudasse os esforços do Kremlin na Ucrânia e se manifestou severamente contra os esforços chineses para ajudar a espalhar propaganda e desinformação russas sobre a guerra.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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