Defensores da guerra "isolaram" Trump, diz ex-chefe de contraterrorismo

Em entrevista ao programa "The Megyn Kelly Show", Joe Kent afirmou que líderes israelenses e dos EUA pressionaram o presidente a lançar a campanha militar

Adam Cancryn, da CNN
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O ex-chefe de contraterrorismo do governo Trump, Joe Kent, acusou nesta sexta-feira (20) defensores da guerra nos EUA e em Israel de convencerem o presidente americano, Donald Trump, de que ele precisava atacar o Irã, apesar das poucas evidências concretas de que o país representasse uma ameaça iminente.

Durante uma participação no programa de rádio "The Megyn Kelly Show", Kent afirmou que líderes israelenses e aliados dos EUA, como o senador Lindsey Graham, criaram uma "câmara de eco" em torno de Trump, pressionando-o por meses a lançar uma campanha militar e silenciando vozes céticas.

"Eu vi a bolha sendo criada em torno do presidente Trump", disse Kent, que renunciou ao cargo no início desta semana devido às suas dúvidas sobre a guerra.

"O presidente estava isolado e, por isso, só ouvia essa câmara de eco", acrescentou.

Kent disse que o período que antecedeu o ataque ao Irã contrastou fortemente com os preparativos para o bombardeio das instalações nucleares do país, realizado por Trump no ano passado, que, segundo ele, só ocorreu após intensos debates dentro do governo sobre os méritos do ataque.

Em vez disso, ele alegou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seus assessores, com a ajuda de aliados pró-guerra de Trump, o pressionaram a agir antes que o governo tivesse analisado todas as possíveis repercussões.

“Qualquer que tenha sido o argumento usado, o efeito foi que o presidente Trump foi levado a acreditar que, se agisse agora, tudo seria rápido e fácil”, disse Kent.

Em um comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, classificou a carta de demissão de Kent como “repleta de mentiras” e defendeu a decisão de Trump de atacar o Irã.

“O mais grave foram as falsas alegações de Kent de que o maior patrocinador estatal do terrorismo não representava uma ameaça aos Estados Unidos e que Israel forçou o presidente a lançar a Operação Epic Fury”, disse Ingle.

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