Denúncias de abuso são ‘falsas e fantasiosas’, diz presidente de Belarus à CNN

Alexandr Lukashenko diz que país 'não tem centros de detenção como Guantánamo' e que prisões onde acusados são mantidos não são piores que as dos EUA ou da Grã-Bretanha

Matthew ChanceZahra Ullahda CNN

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O presidente de Belarus, Alexandr Lukashenko, se recusou a se desculpar por violações generalizadas dos direitos humanos no país desde sua disputada reeleição no ano passado, em uma entrevista exclusiva à CNN.

A CNN citou evidências da Human Rights Watch e da Anistia Internacional de que alguns dos detidos relataram ferimentos, incluindo ossos quebrados e queimaduras, enquanto outros disseram que foram forçados a deitar nus na terra enquanto eram agredidos.

Lukashenko respondeu: “Não temos um único centro de detenção, como você diz, como Guantánamo, ou aquelas bases que os Estados Unidos e seu país criaram na Europa Oriental”.

“No que diz respeito aos nossos próprios centros de detenção, onde mantemos os acusados ou sob investigação, eles não são piores que na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos. Posso garantir isso”, completou.

Lukashenko é presidente de Belarus desde 1994 e é conhecido em alguns círculos como “o último ditador da Europa”.

As eleições presidenciais do ano passado foram recebidas com protestos generalizados em todo o país de um crescente movimento de oposição.

Em uma repressão que se seguiu à disputada vitória de Lukashenko, a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaya fugiu do país, enquanto outros foram presos.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, emitiu uma ordem executiva abrangente em agosto contra pessoas no regime de Lukashenko envolvidos na repressão dos direitos humanos e da democracia.

Mas, pressionado sobre os relatos de brutalidade, Lukashenko foi indiferente e se recusou a se desculpar com os bielorrussos pela repressão de seu governo.

“Tudo o que você acabou de dizer é falso e fantasia”, disse ele. “Eu garanto a você que é falso e fantasia.”

Lukashenko falou à CNN em uma longa entrevista no Palácio da Independência na capital, Minsk. Mais informações dessa entrevista serão publicadas nesta sexta.

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