Depois de 51 anos, códigos do Assassino do Zodíaco são solucionados por amadores

Criminoso cometeu cinco assassinatos sem resolução entre 1968 e 1969 e mandou mensagens em código para polícia e mídia

Cópia das cartas enviadas ao San Francisco Chronicle pelo Assassino do Zodíaco
Cópia das cartas enviadas ao San Francisco Chronicle pelo Assassino do Zodíaco Foto: Eric Risberg/AP

Leah Asmelash e Cheri Mossburg, da CNN

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Mais de cinquenta anos depois do chamado Assassino do Zodíaco começar a aterrorizar as ruas do norte da Califórnia, uma equipe de decifradores de códigos acredita ter finalmente solucionado uma das misteriosas mensagens cifradas do matador, enviada ao jornal San Francisco Chronicle em 1969. 

Chamada de “cifra 340”, a mensagem foi decodificada por um trio de decifradores —David Oranchak, um desenvolvedor de software da Virgínia, Jarl Van Eycke, um programador de computadores da Bélgica, e Sam Blake, um matemático da Austrália. 

Decifrar o código revelou a seguinte mensagem, toda em maiúsculas e sem pontuação:

“Eu espero que vocês estejam se divertindo ao tentar me pegar

Aquele não era eu no programa de televisão sobre mim

Eu não tenho medo da câmara de gás porque vai me mandar para o paraíso mais cedo ou mais tarde

Porque agora tenho escravos suficientes para trabalhar para mim enquanto todo mundo não tem nada quando eles chegarem ao paraíso então eles têm medo da morte

Eu não tenho medo porque sei que minha nova vida será fácil na morte no paraíso”.

O programa a que a mensagem se refere é o “The Jim Dunbar Show”, um talk show de uma televisão local. A mensagem em código foi enviada duas semanas depois de uma pessoa que dizia ser o Assassino do Zodíaco ligou para a atração.

“Foi incrível, um choque grande. Eu nunca pensei de verdade que encontraríamos algo, porque fiquei tão acostumado a fracassar”, disse Oranchak, que está trabalhando para decifrar as mensagens do assassino desde 2006, disse à CNN

“Quando eu comecei, eu costumava ficar animado ao resolver algumas palavras —eram como falsos positivos, fantasmas. Eu me acostumei a isso. Era improvável, nós nem sabíamos de verdade se havia uma mensagem ali”, falou. 

O trio levou os achados para o FBI há uma semana, mas não revelou a descoberta até que houvesse confirmação das autoridades, disseram.

O Assassino do Zodíaco é conhecido por cometer cinco homicídios não solucionados entre 1968 e 1969. Ele nunca foi pego, mas ganhou notoriedade ao escrever cartas para a polícia e para a mídia local até 1974, às vezes usando códigos, em que se gabava das mortes. 

Pedaços sangrentos de roupas eram incluídos nessas correspondências como provas da ação dele. Ele diz ter matado até 37 pessoas. 

O FBI disse em nota que o caso segue como uma investigação em aberto para o escritório em São Francisco e os parceiros policiais locais. 

“Dada a natureza em aberto da investigação, e por respeito às vítimas e suas famílias, nós não comentaremos mais neste momento”, disse o órgão em nota. 

O Departamento de Polícia de São Francisco tambném foi informado do código resolvido, e disse que a informação foi enviada para o departamento de casos arquivados de homicídio.

Oranchak detalhou o processo de decifrar o código no site dele e em um vídeo do YouTube, em que usou um software que foi desenvolvido especificamente para decodificação e teve um pouco de sorte para finalmente conseguir fazer a conexão. A equipe usou um programma único para tentar 650 mil variações da mensagem. Em uma delas, algumas palavras apareceram. 

“Nós tivemos realmente muita sorte e encontramos uma que tinha parte da resposta, mas não era óbvia”, disse Oranchak, que explicou que eles tiveram que decifrar manualmente o resto da mensagem. 

A única parte frustrante, disse Oranchak, é que a carta não continha nenhuma informação de identificação pessoal. 

Oranchak não tem esperança de resolver as úlitmas duas mensagens cifradas. Ele descreveu a missão como “quase impossível”, já que ambas são bastante curtas, com milhares de nomes e frases diferentes que poderiam se encaixar. 

(Texto traduzido, leia o original em inglês

 

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