Dois navios afundam perto de Ormuz após nova onda de ataques do Irã

GFS Pride e Cape Dao, ambas embarcações mercantis, foram atingidas por projéteis enquanto transitavam pelo estreito; Teerã iniciou uma nova escalada nas operações na via marítima após um novo bloqueio dos EUA

Jonathan Saul e Renee Maltezou, da Reuters, Londres

Um navio porta-contêineres e um navio graneleiro afundaram perto do Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, após serem atingidos por projéteis em incidentes separados, informaram autoridades marítimas nesta quarta-feira (14).

Os ataques na região da via navegável aumentaram nos últimos 10 dias. O Irã afirma estar intensificando as ações em resposta ao bloqueio de seus portos pelos Estados Unidos e às sanções mais rigorosas impostas no mês passado.

O GFS Pride, um navio porta-contêineres de pequeno porte com bandeira de Singapura e capacidade para 2.824 unidades, afundou enquanto navegava pelo estreito, segundo fontes de segurança marítima.

"O GFS Pride sofreu danos e um incêndio a bordo, vindo a afundar posteriormente. Todos os 21 tripulantes foram retirados em segurança. Não houve relatos de feridos", informou a MPA (Autoridade Marítima e Portuária de Singapura) em um comunicado na quarta-feira, acrescentando que a embarcação navegava pelo estreito na terça-feira (13).

Em um incidente separado, o Cape Dao, com bandeira de Antígua e Barbuda, afundou nas proximidades do estreito, semanas após ter sido atingido por um projétil em 23 de setembro, segundo dados divulgados nesta quarta pela OIM (Organização Marítima Internacional), agência da ONU para o setor de navegação.

Um tripulante morreu e o restante da tripulação foi retirado logo após o ataque, informaram fontes marítimas.

A empresa responsável pela gestão da embarcação, a Peonies Shipmanagement FZE, sediada nos Emirados Árabes Unidos, não pôde ser contatada imediatamente para comentar o caso.

GFS Pride e Cape Dao são a segunda e a terceira embarcações a afundar desde o início do conflito entre EUA e Irã, em 28 de fevereiro, segundo uma análise de dados da OMI sobre incidentes marítimos.

"A MPA está profundamente preocupada com os ataques contínuos à navegação comercial no Estreito de Ormuz", afirmou a autoridade de Singapura.

"Tais ataques são não provocados, injustificáveis ​​e constituem uma violação do direito internacional."

A empresa responsável pela gestão do GFS Pride, a GFS Ship Management FZE, sediada nos Emirados Árabes Unidos, não pôde ser contatada imediatamente para comentar o caso.

"Os incidentes mais recentes reforçam a ameaça contínua à navegação comercial que transita pelo Estreito de Ormuz", afirmou nesta quarta-feira a Marisks, empresa de gestão de riscos marítimos.

"A ameaça não se limita a navios-tanque. Navios porta-contêineres e graneleiros também têm sofrido danos graves."

O Irã está empregando novas táticas para atacar navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, na tentativa de manter os preços do petróleo elevados e influenciar as eleições de meio de mandato nos EUA, conhecidas como Midterms, disseram duas autoridades iranianas de alto escalão à Reuters.