Domo de Ouro: Pentágono agenda teste para ano de eleição nos EUA

Trump promete que novo sistema de defesa antimísseis vai interceptar ameaças de países distantes, como a Rússia e a China

Natasha Bertrand e Zachary Cohen, da CNN
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O Pentágono agendou o primeiro grande teste do sistema de defesa antimísseis, o Domo de Ouro, avaliado em bilhões de dólares, para pouco antes das eleições de 2028, quando acontecem as próximas eleições presidenciais americanas, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto.

O prazo estabelecido é curto, mas dá a oportunidade para que militares provem que podem transformar em realidade a visão do presidente Donald Trump de um escudo espacial capaz de proteger toda a área dos EUA.

O cronograma está alinhado com a promessa do presidente americano feita em maio de "concluir o teste em três anos".

"Uma vez totalmente construído, o Domo de Ouro será capaz de interceptar mísseis mesmo que sejam lançados de outros cantos do mundo", disse ele na época.

Testes de mísseis são normalmente agendados com bastante antecedência, disse uma das fontes, uma autoridade de defesa, à CNN.

Mas o momento do teste, atualmente agendado para o quarto trimestre de 2028, também sugere que "eles querem uma vitória para apontar em novembro (de 2028)", disse a autoridade. "E o Departamento de Defesa quer evitar qualquer coisa que perceba que os atrasará."

Construção a curto prazo

A MDA (Agência de Defesa de Mísseis) planeja chamar o teste de "FTI-X", disse a autoridade de defesa. "FTI" significa Teste de Voo Integrado, indicando que o teste envolverá os diversos sensores e sistemas de armas do Domo de Ouro trabalhando em conjunto para atingir múltiplos alvos.

A Agência de Defesa de Mísseis, que realizaria os testes, não retornou um pedido de comentário.

O prazo de três anos é particularmente ambicioso, visto que os EUA vêm explorando a possibilidade de interceptação de mísseis espaciais há décadas, disse a autoridade de defesa. Mas ainda é um "problema difícil e tecnicamente muito arriscado", continuou a autoridade.

"O número possível de satélites necessários para atingir uma probabilidade de sucesso será muito alto, considerando o tempo e a área necessários para cobrir o território continental dos Estados Unidos."

O general da força espacial Michael Guetlein, que foi escolhido por Trump em maio para liderar o desenvolvimento do Domo de Ouro, aludiu a esse desafio em comentários em uma cúpula da indústria espacial na semana passada.

“Acredito que o verdadeiro desafio técnico será a construção do interceptador espacial”, disse Guetlein. “Essa tecnologia existe, eu acredito. Acredito que comprovamos todos os elementos da física, que podemos fazê-la funcionar".

"O que não comprovamos é, primeiro, se consigo fazer isso economicamente e, segundo, se consigo fazer isso em escala. Consigo construir satélites suficientes para combater a ameaça? Consigo expandir a base industrial com rapidez suficiente para construir esses satélites?", indagou o general da força espacial.

Em última análise, os testes realizados em 2028 podem constituir apenas a "fase um" do programa, disse a segunda fonte. Essa pessoa observou que, no momento, o objetivo do projeto é avançar rapidamente e se basear nos sistemas existentes para demonstrar que o conceito mais amplo de um enorme escudo antimísseis merece mais financiamento.

Estimativa de bilhões de dólares

Trump disse em maio que US$ 25 bilhões serão alocados para o Domo de Ouro a partir do abrangente pacote de impostos e cortes de gastos, que os legisladores sancionaram no início desse mês. Mas a previsão é de que o projeto custe bilhões de dólares, informou a CNN.

Algumas tecnologias que o Domo de Ouro provavelmente exigirá já estão sendo testadas.

A CEO da Northrop Grumman, Kathy Warden, afirmou em uma teleconferência de resultados esta semana, por exemplo, que a empresa já está começando a testar interceptadores espaciais, com o objetivo de "desempenhar um papel crucial no apoio" à meta do governo de avançar "com rapidez" na construção do Golden Dome.

O Pentágono também anunciou no mês passado que a MDBA (Agência de Defesa de Mísseis) testou com sucesso um sistema de radar de longo alcance no Alasca, construído pela empresa de produtos aeroespaciais de defesa Lockheed Martin, capaz de rastrear um alvo de míssil balístico ativo a partir de locais tão distantes quanto a Rússia e a China.

Esse sensor, ou um similar, provavelmente será uma parte fundamental do Domo de Ouro.

De modo geral, porém, autoridades de defesa e empresas que desejam se envolver no projeto ainda aguardam que o general Guetlein apresente um plano para o design geral do sistema altamente complexo.

A previsão é que isso aconteça em breve — no final de maio, Guetlein recebeu 60 dias para definir a arquitetura inicial do programa e 120 dias para preparar um plano de implementação, de acordo com um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, obtido pela CNN.

Grande parte do planejamento para o Domo de Ouro parece ter sido projetado para permitir que o Pentágono avance o mais rápido possível para sua construção, o que gerou preocupações entre algumas autoridades de defesa de que o programa careça de supervisão adequada.

"No final, muito dinheiro poderia ser gasto tentando fazer isso funcionar, e então ele poderia nem mesmo atender aos requisitos de teste ou fazer o que eles querem", disse a autoridade de defesa.

Por exemplo, um escritório pouco conhecido do Pentágono, chamado Escritório do Diretor de Testes e Avaliação Operacionais, é obrigado a revisar os planos de teste da Agência de Defesa de Mísseis para determinar sua adequação.

Mas Pete Hegseth ordenou a desativação desse escritório logo após a divulgação de que supervisionaria os testes do Domo de Ouro e os programas associados a ele, informou a CNN.

O general Guetlein também recebeu autonomia única para transferir a propriedade de contratos altamente lucrativos e na aquisição da tecnologia para sua construção, e se reportará apenas ao secretário adjunto de Defesa, Stephen Feinberg, diz o memorando.

O memorando também afirma que o Domo de Ouro estará isento dos processos tradicionais de supervisão do Pentágono para os programas de armas mais caros das Forças Armadas, porque este "esforço complexo e altamente técnico exige uma abordagem de aquisição não tradicional e apoio total de todos os componentes do Departamento de Defesa desde o início".

Dezenas de empresas estão competindo por uma vaga no desenvolvimento do Domo de Ouro, disseram as fontes à CNN, mas entre as mais competitivas estão a SpaceX, a Anduril e a Palantir. As três empresas fizeram propostas diretamente ao secretário de Defesa Pete Hegseth, que indicou que deseja o que elas estão vendendo, informou a CNN.

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