Eleições em Honduras: Veja principais propostas de candidato centrista

Salvador Nasralla promete defender democracia, bem-estar social e econômico, segurança alimentar e prosperidade rural

Anabella González, da CNN
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Conhecido há décadas como “o senhor da televisão”, Salvador Nasralla nunca desistiu do desejo de ser presidente. É a quarta vez que o apresentador e comentarista esportivo de 72 anos concorre às eleições presidenciais em Honduras.

Neste domingo (30), Nasralla aposta que vai conseguir a maioria dos votos, em um cenário de polarização e tensão entre as diferentes forças políticas do país.

“Estou convencido de que as pessoas sabem que o candidato que tem um histórico limpo, de moralidade, que não é perseguido e não tem julgamento sou eu, o candidato do Partido Liberal”, disse ele à CNN.

Acostumado com câmeras, a exposição pública da política não é novidade para Nasralla, que há mais de 40 anos apresenta o programa “5 Deportivo” do canal Televicentro. Desde adolescente, já percorria os corredores da emissora hondurenha, onde aprendeu o ofício de comentarista esportivo. Também trabalhou em rádios como Uniradio e Rádio Católica.

Estudou no Chile e se formou como engenheiro industrial civil em 1976. Também concluiu um mestrado em administração de empresas.

Em 2012, fundou o Partido Anticorrupção (PAC), com o qual concorreu às eleições presidenciais de 2013 e obteve 13,4% dos votos. Em 2017, perdeu para Juan Orlando Hernández, agora condenado  nos EUA por tráfico de drogas, em meio a protestos por suposta fraude eleitoral.

Nasralla disputou novamente as eleições de 2021, mas se aliou ao partido Libre e desistiu da candidatura. Foi eleito vice-presidente junto com a presidente Xiomara Castro e renunciou em 2024 para preparar sua candidatura presidencial.

Democracia, segurança alimentar e produção agrícola

Suas principais críticas são ao partido Libre, liderado por Rixi Moncada, a candidata governista. Nasralla alerta os hondurenhos para “acordarem” para a possibilidade do Libre continuar a governar, porque garante que o partido quer “manter o poder”.

Nasralla baseia sua proposta eleitoral em quatro eixos: democracia, bem-estar social, bem-estar econômico; e, finalmente, segurança alimentar e prosperidade rural.

No que diz respeito à economia, uma das iniciativas centrais baseia-se na produção de alimentos, na geração de emprego agrícola e no fortalecimento da economia rural. “Isto, juntamente com a pavimentação de estradas e o desenvolvimento de infraestruturas, garantirá que as nossas comunidades prosperem e que o trabalho produtivo seja uma fonte de dignidade e sustento”, propõe.

Ele aposta em projetos de infraestrutura, desde a construção de estradas, barragens, metrô e até teleférico em Tegucigalpa.

Na área da saúde, quer garantir o acesso universal aos medicamentos e melhorar os equipamentos hospitalares; e quer que Honduras incentive o investimento nacional e estrangeiro “para a geração massiva de empregos”.

Em termos de segurança, Nasralla afirma que “não haverá trégua contra o crime comum ou contra o crime organizado”.

Criticado por Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio ao candidato conservador Nasry "Tito" Asfura dias antes da eleição. Trump disse que Nasralla “não é um aliado confiável para a liberdade” de Honduras ou para “lutar” contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.

Nasralla respondeu rapidamente a essas declarações. Garantiu que é aliado de Trump em Honduras e destacou aos seus adversários: “Lamento muito a desinformação maliciosa dos meus rivais políticos que, sabendo que são perdedores, levaram aos ouvidos dos conselheiros do presidente Trump, uma pessoa que merece todo o meu respeito e maior consideração”.

“Quando neste domingo eu for eleito pelo meu povo, vocês poderão encontrar em mim um aliado das liberdades na América Latina. Peço bom senso e sanidade nesta encruzilhada que nosso país vive. Viva os valores tradicionais!”, Nasralla escreveu em X.

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