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    Eleições na Argentina: quem é o “italiano” Sergio Massa, amigo de Riquelme e candidato governista

    Filho de imigrantes, pré-candidato do partido no governo começou cedo na militância e chegou a romper com o Kirchnerismo, mas retomou os laços e assumiu o ministério da Economia no governo Alberto Fernández

    Ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa
    Ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa 23/01/2023REUTERS/Agustin Marcarian

    Joaquin Doriada CNN

    Sergio Massa é um homem que, em suas próprias palavras, atualmente usa dois chapéus: o do ministro da Economia da Argentina e o do candidato presidencial do partido no governo. Ele começou a fazer parte do Kirchnerismo há 20 anos, tornou-se um forte adversário dessa mesma corrente política e, mais tarde, voltou a ela e agora lidera a campanha pelos antigos aliados. Massa entrou na política muito jovem e já no ensino médio começou a delinear seu caminho.

    Sergio Massa vem de uma família de italianos que chegou ao país no período pós-guerra. “Eles são da primeira geração de imigrantes”, ele contou ao podcast Método Rebord. Ele contou que sua mãe, Luciana Cherti, natural de Trieste, no norte da Itália, chegou à Argentina aos 6 anos, e que seu pai, Alfonso Massa, da Sicília, aos 11 anos.

    O casal teve dois filhos, Sergio Massa, nascido em 28 de abril de 1972, e sua irmã, que se mantém distante da mídia. Os Massa tinham uma pequena empresa de construção e o sonho de todo imigrante de melhorar de vida no país novo. “Trouxemos o esforço e o desejo de trabalhar”, declarou dona Luciana, a mãe, em documentário publicado no canal do YouTube de Massa.

    O ministro e pré-candidato Sergio Massa na infância / Prensa Sergio Massa

    A união e as discussões entre pessoas do norte e do sul da Itália levou a Massa a saber viver em meio a divisões nas reuniões familiares desde criança, algo que poderia ser interpretado como um prefácio de seu presente na polarizada cena política argentina.

    Em um momento marcante de sua infância, o avô paterno observou o interesse de Sergio pela política e o advertiu a não seguir esse caminho: “Não entre na política, a política é porca”, teria dito o avô, de acordo com a lembrança de Sergio. Evidentemente, o atual ministro da Economia e pré-candidato presidencial não seguiu o conselho familiar.

    Sergio Massa e a irmã na infância. / Prensa Sergio Massa.

    De coordenador de viagens de formandos a candidato

    A juventude de Massa foi pontuada pela política. Ele lembra que, aos 11 anos, subia em cima de um balde e imitava os discursos das autoridades que via na televisão. Já na adolescência, no ensino médio, começou a militar no partido Unión del Centro Democrático. Em 1994, interrompeu seus estudos de direito na Universidade de Belgrano, que só completou durante a campanha eleitoral de 2013.

    Massa conta que teve diferentes empregos na juventude, trabalhando em construção com seu pai no verão e intercalando com aulas que ele ministrava em cursos de férias. Também foi coordenador das viagens tradicionais de formatura.

    Ainda na casa dos 20 anos, começou a construir uma longa carreira na administração pública. Tudo começou em 1999, quando foi eleito deputado provincial com apenas 27 anos.

    Depois, ocupou outros cargos no executivo e no legislativo. Entre 2002 e 2007, chefiou a Administração Nacional da Previdência Social (Anses), responsável por um dos orçamentos mais importantes do governo.

    Em 2007, foi eleito prefeito de Tigre, cidade da província de Buenos Aires. Massa permaneceu nessa posição até 2013, com um período de licença para ocupar a chefia de gabinete durante a presidência de Cristina Fernández de Kirchner, entre 2008 e 2009, sucedendo o atual presidente Alberto Fernández.

    O político rompeu com o Kirchnerismo em 2013, e começou um período em que se posicionou como um forte adversário dessa força política.

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    Nessa fase, Massa fez críticas severas aos antigos aliados: “Quando em 2013 eles queriam nos impor a ‘Cristina eterna’, tivemos a coragem de pará-la. Se ela reaparecer, vamos pará-la novamente”, discursou durante a campanha em 2017, referindo-se à atual vice-presidente e sua companheira de gabinete.

    Em 2019, após uma reconciliação, voltou ao Peronismo como deputado federal da província de Buenos Aires e ocupou a presidência da Câmara dos Deputados. Em 2022, tornou-se ministro da Economia, e agora é pré-candidato à presidência.

    O encontro entre política e espetáculo

    Massa muitas vezes faz aparições públicas com a esposa, Malena Galmarini, que ele conheceu quando tinha 24 e ela, 21. O casal teve dois filhos.

    Galmarini é presidente da empresa estatal Água y Saneamientos Argentinos (AySA) e candidata à prefeitura de Tigre. Aliás, a esposa de Massa é filha de Fernando “Pato” Galmarini, um político de longa carreira na administração pública argentina e que fez parte do governo do presidente Carlos Menem (1989-1999).

    A ligação levou Massa a construir o que ele chama de uma “família reunida, como é o União pela Pátria”, fazendo um paralelo com a coalizão política da qual ele faz parte.

    Nas grandes mesas familiares, das quais participa desde criança, sentam-se aliados políticos do passado e do presente, além de personalidades do mundo do entretenimento. Isso acontece em parte porque seu sogro é casado com renomada atriz de cinema e TV Moria Casan, com quem seu núcleo familiar tem uma conexão estreita. “Moria é muito simples, muito humilde e também muito boa companheira”, disse ao podcast Método Rebord.

    Torcedor do Tigre e amigo de Riquelme

    A identificação de Massa com o município de Tigre vai além de sua gestão como prefeito. Ele é um torcedor declarado do Club Atlético Tigre e do futebol em geral. Já jogou como goleiro, embora nunca profissionalmente. Ocasionalmente, Massa vai ao estádio, em uma paixão que compartilha com seu filho.

    Mas, além disso, há outro ponto que o une ao esporte: sua amizade com o ex-jogador Juan Roman Riquelme. O ídolo do Boca Juniors viveu por muito tempo na cidade de Don Torcuato, na região de Tigre, e se aproximou de Massa em sua primeira gestão.

    Como ele diz, os dois construíram uma grande amizade, marcada por churrascos e mates compartilhados até tarde da noite. “Uma noite ele me ligou e disse: ‘Che, terminei de jantar e vou aí tomar um mate’. E daí, por volta das 4h30 da madrugada, minha filha desce para pegar água e me encontra tomando mate com o Román na cozinha”, contou, rindo.

    Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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